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França: governo busca saída para proposta que pune divulgação de imagens de policiais em ação

Destaque na imprensa francesa desta segunda-feira, para a armadilha em que se transformou a polêmica Lei de Segurança Global para o governo francês.
Destaque na imprensa francesa desta segunda-feira, para a armadilha em que se transformou a polêmica Lei de Segurança Global para o governo francês. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas
Texto por: RFI
4 min

Após vários casos de violência policial e grandes manifestações contra o polêmico projeto de lei de Segurança Global, que reuniram milhares de pessoas na França nesse final de semana, o governo francês está em uma encruzilhada. O debate provoca uma crise, mas, por enquanto, o governo francês se nega a retirar o texto já aprovado em primeira leitura na Assembleia e que atualmente está sendo discutido no Senado.

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O Executivo francês busca uma saída que o salve da "armadilha" que se transformou o projeto de lei de Segurança Global, segundo o jornal Le Figaro desta segunda-feira (30). O texto, considerado liberticida, revolta a esquerda, semeia confusão na opinião pública e divide inclusive os deputados da maioria no poder.

No início, os protestos se concentravam contra o polêmico artigo 24, que propõe punir a divulgação de imagens que identifiquem policiais em ação. Agora, cresce a mobilização para a retirada completa do texto. Segundo o jornal, se o governo abrisse mão da Lei de Segurança Global, a decisão seria vista como um recuo simbólico, “mas há momentos em que é necessário saber recuar”. 

O governo teima em manter o artigo 24, absolutamente inútil em relação ao arsenal jurídico já existente, estima o diário. “O país vive um momento de grande desintegração”. As imagens de um produtor negro sendo espancado por policiais e as imagens de um policial sendo linchado por manifestantes no sábado em Paris devem servir de alerta coletivo. "A França não é uma ditadura", mas quando a "autoridade se apoia somente em decretos, ela recolhe indisciplina", adverte o editorial do jornal.

Novo caso de violência policial

Sobre a violência policial que choca o país nos últimos dias, Libération denuncia um novo caso, o de um fotógrafo sírio gravemente ferido na manifestação parisiense pela Liberdade no último sábado (28). “Eu me senti de novo em uma ambulância de Alepo”, conta Ameer al-Halbi. O diário publica uma foto do jovem, com o rosto enfaixado, coberto de sangue e feridas. Ele foi agredido por golpes de cassetete de um policial, que segundo ele, não podia ignorar que ele era repórter. Ameer teve o nariz quebrado e levou sete pontos em baixo do olho.

“Quando fui socorrido, voltei 15 anos no tempo, quando fui ferido a tiros no braço durante uma manifestação pacífica em Alepo. Foi uma impressão estranha reviver a mesma situação em Paris”, declarou o refugiado político que vive na França desde 2017 e trabalha como freelancer para a AFP.

Macron quer conquistar eleitores de extrema direita

O diário progressista informa que 62 policiais, atacados por manifestantes, também ficaram feridos nas manifestações de sábado em várias cidades francesas.

Para Libération, o polêmico projeto de lei de Segurança Global coloca o governo em grande dificuldade. O Executivo prefere deixar a situação se deteriorar em vez de retirar o artigo 24. A decisão enfraqueceria o ministro do Interior Gérald Darmanin, que será sabatinado nesta segunda na Assembleia sobre a violência policial, critica Libération.

Capitular acabaria com o desgaste político atual, mas Darmanin é peça fundamental na estratégia de reeleição do presidente francês. Macron espera com essa política de segurança conquistar os eleitores da extrema direita de Marine Le Pen, aponta a matéria.

A 18 meses das eleições presidenciais, um ministro entrevistado por Libération, que não foi identificado, diz que Macron não consegue definir com clareza uma linha política equilibrada entre repressão e respeito das liberdades. Com um ministro do Interior em dificuldade e com um primeiro-ministro sobrecarregado com a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid, o presidente francês não pode mais ficar fora do campo de batalha, sugere Libération.

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