Marselha tenta evitar propagação descontrolada de cepa britânica do coronavírus

Descoberta de um foco com pelo menos oito contaminações da nova cepa britânica do coronavírus, em Marselha, no sul da França, gera preocupação.
Descoberta de um foco com pelo menos oito contaminações da nova cepa britânica do coronavírus, em Marselha, no sul da França, gera preocupação. AP - Daniel Cole
Texto por: RFI
4 min

A descoberta de um foco com pelo menos oito contaminações da nova cepa britânica do coronavírus, em Marselha, no sul da França, gera preocupação, disse o prefeito da cidade, Benoit Payan, neste domingo (10).

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Para a adjunta do prefeito, Michèle Rubirola, que é médica e também já dirigiu a cidade, um novo lockdown não pode ser descartado. Segundo ela, o avanço do toque de recolher, que passa de 20h para 18h, não ajudará a conter a propagação do vírus. A prefeitura, por enquanto, descarta essa opção.

Em entrevista à RFI nesta segunda-feira (11), o presidente da comissão médica dos hospitais públicos de Marselha, Dominique Rossi, prefere apostar na vacina. Ele disse que não quer se posicionar em relação às medidas que seriam mais eficazes para conter a circulação do vírus na cidade, no contexto atual. "Qualquer decisão tomada será criticada", declara.

"Temos que acelerar a vacinação e esperar atingir a imunidade da população. Até lá, é preciso usar máscaras, manter o distanciamento e respeitar as medidas de proteção", declara. "O bom senso continua sendo a base, como não fazer reuniões com muitas pessoas", diz.

De acordo com ele, a situação deverá se estabilizar, e até a semana que vem, será possível ter uma ideia da evolução da epidemia. "Há medidas sanitárias, mas também questões políticas, econômicas, sociais e psicológicas muito importantes que devem ser levadas em conta", destaca.

Rossi explicou que a taxa de incidência do vírus na cidade, 230 para 100.000 habitantes, é maior do que a média da França, que gira em torno de 150 contágios por 100 mil habitantes. Além disso, o número de pacientes hospitalizados nas unidades de terapia intensiva continua alto. "Estamos em um platô, que tende a aumentar", diz. 

Rastreamento

A chegada da nova cepa do SARS-Cov-2 a Marselha é mais um fator preocupante.  "Um elemento positivo é que a gestão desse tipo de foco de contaminação e dos seus casos contatos, que giram em torno de 46 pessoas, evoluiu", diz Rossi. "A Seguridade Social e a Agência Regional da Saúde fazem o máximo que podem com suas equipes para manter a contaminação sob controle", garantiu.

De acordo com o especialista, a nova cepa chegou a Marselha trazido por uma família que mora em Londres e veio passar férias no fim do ano. O resultado do teste realizado antes da viagem foi negativo, mas alguns dias depois da chegada ao território francês, um dos membros teve sintomas e foi testado novamente. Desta vez, o PCR foi positivo. O sequenciamento do genoma mostrou que o vírus em questão se tratava do "primo" britânico do Covid.

Rossi não sabe explicar porque, atualmente, o vírus circula mais em Marselha do que em outras regiões da França. "Não tenho uma explicação. A população da cidade, contrariamente ao que dizem outras pessoas, não é mais indisciplinada do que os outras. Ainda há muitas coisas que ignoramos sobre esse vírus", observa. "O principal problema é que corremos o tempo todo atrás dele."

Segundo o médico francês, a chegada da cepa britânica fez com que surgisse a necessidade de encontrar novas soluções para enfrentar a epidemia. "O mais importante em uma situação como a nossa é que todo mundo se ajude. Isso é realmente importante e está acontecendo", conclui.

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