Relatório de 18 associações francesas denuncia deterioração dos direitos humanos no Brasil

A Coalizão Solidarité Brésil, formada por 18 associações de Direitos Humanas francesas, lançou nesta terça-feira (19) a segunda edição do Barômetro de Direitos Humanos no Brasil, documento que denuncia a deterioração da cidadania no país na era Bolsonaro, além de índices de violência e desmatamento.
A Coalizão Solidarité Brésil, formada por 18 associações de Direitos Humanas francesas, lançou nesta terça-feira (19) a segunda edição do Barômetro de Direitos Humanos no Brasil, documento que denuncia a deterioração da cidadania no país na era Bolsonaro, além de índices de violência e desmatamento. © Márcia Bechara/ RFI

O coletivo Coalition Solidarité Brésil (Coalizão Solidariedade Brasil), que reúne 18 organizações francesas, entre elas Greenpeace, Autres Brésils e Attac France, lançou seu segundo barômetro de alerta sobre a situação dos direitos humanos no Brasil nesta terça-feira (19) em Paris. O estudo analisa 11 temas que vão desde racismo e violências policiais até liberdade de expressão. O objetivo é denunciar a deterioração dos direitos dos cidadãos brasileiros para congressistas e imprensa da França, além da comunidade internacional.

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O evento de lançamento aconteceu em frente à Embaixada Brasileira em Paris nesta terça-feira (19) sob forma de protesto. “Estamos aqui para lançar o barômetro de alerta, que é um relatório que explica como todos os índices de direitos humanos e degradação do meio ambiente estão explodindo no Brasil”, relata Erika Campelo, co-presidente da associação Autres Brésils e uma dos organizadores do ato. “Queremos sensibilizar o governo francês e a comunidade internacional para a destruição que Bolsonaro representa para o Brasil e os brasileiros”, afirma.

“O barômetro foi produzido pelas associações de solidariedade internacional que trabalham aqui na França como o Attac, o CCFB, Greenpeace, Autres Brésils, France-Amérique Latine, além de várias outras. Este documento foi enviado para toda a imprensa francesa e europeia, e será enviado na tarde desta terça-feira para todos os deputados e senadores franceses, além de todos os deputados francófonos e lusófonos do Parlamento Europeu”, precisa a ativista.

A Coalizão Solidarité Brésil, formada por 18 associações de Direitos Humanas francesas, lançou nesta terça-feira (19) a segunda edição do Barômetro de Direitos Humanos no Brasil, documento que denuncia a deterioração da cidadania no país na era Bolsonaro, além de índices de violência e desmatamento.
A Coalizão Solidarité Brésil, formada por 18 associações de Direitos Humanas francesas, lançou nesta terça-feira (19) a segunda edição do Barômetro de Direitos Humanos no Brasil, documento que denuncia a deterioração da cidadania no país na era Bolsonaro, além de índices de violência e desmatamento. © Márcia Bechara/ RFI

O coletivo já coleciona vários retornos positivos sobre a primeira edição do barômetro de alerta. “A partir do primeiro relatório, em 2020, fomos convidados por cinco deputados franceses e organizamos um colóquio no Parlamento em Paris para apresentar, por temáticas – como povos indígenas, direitos LGBTQI+, Floresta Amazônica, etc – toda a destruição do Brasil por esse governo irresponsável, ou por esse desgoverno, como costumamos dizer”, aponta a co-presidente da associação Autres Brésils, criada em 2002.

Fim da Amazônia, violência policial e assassinatos: o legado Bolsonaro

“Alguns exemplos que damos no barômetro são muito concretos: daqui a apenas três anos, não haverá mais jeito para a Amazônia, a floresta não terá mais capacidade de se restituir, devido ao desmatamento. Daqui a três anos, a Amazônia começa a morrer. Outro índice preocupante do relatório é o número de homicídios que explodiu no Brasil em 2020, sendo que, entre os assassinados, 79% são negros. Existe um problema não apenas de racismo estrutural, mas de impunidade no país”, aponta.

“Nossa ideia é sensibilizar os políticos franceses e europeus de como a política do Bolsonaro está acabando com o Brasil e os brasileiros, além do planeta. Porque quando você acaba com a biodiversidade, você assassina a Amazônia, você deixa desmatar, você não deixa a floresta se regenerar, está-se então atingindo a biosfera do planeta todo”, afirma Erika Campelo.

No documento que integra a campanha "O Brasil resiste - Lutar não é um crime", o grupo realiza um balanço da situação dos direitos humanos no período que cobre até o meio do mandato do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. O grupo pretende sensibilizar o governo francês e a comunidade internacional sobre a degradação das condições de direitos humanos no Brasil, segundo Campelo.

A Coalizão Solidarité Brésil, formada por 18 associações de Direitos Humanas francesas, lançou nesta terça-feira (19) a segunda edição do Barômetro de Direitos Humanos no Brasil, documento que denuncia a deterioração da cidadania no país na era Bolsonaro, além de índices de violência e desmatamento.
A Coalizão Solidarité Brésil, formada por 18 associações de Direitos Humanas francesas, lançou nesta terça-feira (19) a segunda edição do Barômetro de Direitos Humanos no Brasil, documento que denuncia a deterioração da cidadania no país na era Bolsonaro, além de índices de violência e desmatamento. © Márcia Bechara/ RFI

O relatório aponta ainda um aumento de 6% no número de pessoas mortas pela polícia no primeiro semestre de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019. O número de feminicídios também cresceu quase 2% no período, enquanto metade das pessoas mortas entre os grupos LGBTQI+ em todo o mundo é de brasileiros: apenas aos assassinatos de pessoas trans aumentaram 47% no ano passado.

O texto ainda alerta para o problema da fome no país. “Gostaria de destacar a questão da segurança alimentar no Brasil hoje. O problema das pessoas que não têm o que comer todos os dias, ou que não sabem se poderão fazer três refeições, é muito grave. É impressionante o número de famílias brasileiras que estão nesta condição”, explica a ativista. “Nesta segunda edição do barômetro, a gente anuncia 43 milhões de pessoas em estado de insegurança alimentar, ou seja, 20% da população brasileira hoje não sabe se vai poder almoçar e jantar todos os dias. Destes, 15 milhões passam fome, pura e simplesmente, o que corresponde a 6% dos brasileiros”, aponta.

“Outra questão muito importante para a gente da coalizão internacional é o Acordo de Livre Comércio entre a Europa e o Mercosul, temos inclusive uma campanha a respeito. Pedimos aos deputados franceses e aos eurodeputados que não ratifiquem esse acordo, que ajudaria a intensificar o desmatamento e a endossar o fim dos direitos sociais e dos trabalhadores no Brasil”, afirma Campelo. “Esse acordo vai contra dos direitos do meio ambiente. Temos a opinião pública francesa e europeia agora do nosso lado, vencemos essa batalha por essa narrativa. Os deputados nacionais dos países europeus estão muito sensíveis a esta questão”, diz.

“No mês de fevereiro vamos encontrar novamente os eurodeputados e os parlamentares franceses com esta segunda edição do barômetro de alerta para mostrar como é importante não ratificar o Acordo com o Mercosul”, detalha. “Com esses dados oficiais nas mãos, reforçaremos este pedido”, conta. O relatório indica ainda um aumento de mais de 1.800% nas invasões de territórios indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas, em 2020 em comparação com 2019.

Coalizão internacional contra Bolsonaro

A coalizão Solidarité Brésil foi criada em dezembro de 2018, a partir de uma convocação lançada pela associação Autres Brésils. "Convocamos organizações parceiras que já trabalhavam há anos com brasileiros, o que chamamos aqui na França de Solidariedade Internacional. Sabíamos então já naquela época que o desastre seria iminente e muito grande para o Brasil”, afirma Erika Campelo.

Nosso primeiro ato foi lançar, em janeiro de 2020, a primeira edição do barômetro. A ideia sempre foi sensibilizar a opinião pública francesa contra os desmandos do governo Bolsonaro, assim como a classe política francesa e europeia”, finaliza. “Não deixaremos o governo brasileiro em paz até que estas questões sejam resolvidas”, pontua.

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