Calados, mesmo com máscara: Academia de Medicina da França recomenda silêncio nos transportes coletivos para impedir variantes da Covid

Fim do bate-papo nos transportes coletivos? Essa é uma das preconizações da Academia de Medicina da França para tentar conter as novas variantes da Covid-19
Fim do bate-papo nos transportes coletivos? Essa é uma das preconizações da Academia de Medicina da França para tentar conter as novas variantes da Covid-19 AP - Lewis Joly
Texto por: RFI
3 min

A Academia Nacional de Medicina da França recomendou que, mesmo usando máscaras de proteção, a população evite falar, inclusive ao telefone, quando estiver nos transportes coletivos. A preconização é apontada como medida de precaução contra as novas variantes do vírus da Covid-19, muito mais contagiosas, e que começam a circular no país.

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O uso de máscaras de proteção já é obrigatório na França em todos os espaços públicos, inclusive nos transportes coletivos. No entanto, o ministro da Saúde, Olivier Véran, chamou a atenção esta semana para o risco das máscaras de tecido artesanais, que não seriam eficazes. O governo recomendou o uso de máscaras cirúrgicas ou em tecido, mas industrializadas, o que suscitou críticas de alguns médicos.

Segundo a Academia francesa de Medicina, “não há provas científicas” que confirmem a ineficácia das máscaras caseiras e elas funcionam “quando são bem colocadas”. A instituição também contestou a preconização do governo de aumentar de 1 para 2 metros a distância entre duas pessoas. “Essa proposta se defende na teoria, mas não é aplicável na prática”, retrucou a Academia em seu comunicado.

A única medida de prevenção eficaz, afirma a entidade, seria usar a máscara o tempo todo. E, no caso dos transportes coletivos, quando a distância física não pode ser respeitada – o que acontece frequentemente nos ônibus, trens e metrôs –, deve-se adotar “uma precaução muito simples: evitar falar ou telefonar”, conclui o comunicado divulgado pela Academia na sexta-feira (22).

O risco do aerossol

A medida parte do princípio que, ao falar, nós emitimos partículas em aerossol que podem contaminar as pessoas em volta. “Isso acontece principalmente quando falamos alto”, explica o clínico geral Jerôme Marty, entrevistado pela RFI. “E como o metrô é barulhento, temos tendência a falar mais alto para sermos ouvidos”, explica. Mas as máscaras podem conter o efeito de eventual difusão do vírus pelas partículas emitidas em aerossol, pondera o médico. 

Porém, é frequente ver pessoas que abaixam suas máscaras quando falam ao telefone, inclusive dentro de ônibus e metrôs lotados. Para Marty, a preconização da Academia teria sido mais eficaz que tivesse explicado que “diante do risco que representam as novas variantes, que são muito mais contagiosas, as máscaras devem ser usadas corretamente, e não deixando o nariz ou a boca aparente. O moral dos franceses já está em baixa com tudo o que vivemos. Agora ainda vão querer que eles se calem?”, contesta o médico.

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