França supera os 80.000 mortos pela Covid-19

UTI de doentes com Covid-19 do hospital Cavale Blanche, na cidade francesa de Brest.
UTI de doentes com Covid-19 do hospital Cavale Blanche, na cidade francesa de Brest. AFP - LOIC VENANCE
Texto por: RFI
4 min

Com mais de 700 mortes registradas nos hospitais e nos lares de idosos franceses nas últimas 24 horas, a França superou nesta terça-feira (9) a marca de 80.000 mortos pela Covid-19. O novo balanço oficial foi publicado site do governo francês, mas por enquanto um terceiro lockdown nacional continua sendo descartado pelas autoridades.

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Os dados da Agência Sanitária de Saúde da França mostram que, entre segunda (8) e terça-feira, 439 doentes do coronavírus, internados em hospitais, morreram. Este é o pior saldo diário de vítimas fatais registrado no país em 2021. Ele é consequência da alta das hospitalizações registrada desde o mês de janeiro devido à propagação das novas variantes da Covid-19 na França.

Desde 24 de janeiro, entre 1.700 e 1.800 pacientes são internados em UTIs, a cada sete dias. Por isso, as autoridades acreditam que o ritmo de mortes não deve diminuir imediatamente. Nesta terça, ao todo 28.000 pessoas estavam hospitalizadas, sendo mais de 3.300 em UTIs.

« Nos últimos 15 dias, o número de pacientes em reanimação foi multiplicado por três. Com a chegada das variantes, corremos o risco de ficar completamente saturados”, explicou Yves Cohen, chefe do serviço de reanimação do hospital Avicenne de Bobigny. No estabelecimento da periferia parisiense os 32 leitos da UTIs estão ocupados com pacientes do coronavírus, impondo a criação de uma unidade suplementar de terapia intensiva.

Prolongação do estado de emergência  

A situação excepcional provocada pela pandemia de Covi-19 ainda vai durar alguns meses. O Parlamento francês prolongou nesta hoje o estado de emergência sanitária até dia primeiro de junho, apesar da oposição de partidos da direita e da esquerda.

Mas a medida que autoriza o governo a decretar restrições para combater a pandemia, foi adotada graças à bancada macronista, que é maioria na casa. Ela foi adotada por 278 votos a favor, 193 contra e 13 abstenções.

O estado de emergência sanitária foi votado pela primeira vez em março de 2020. Ele permite entre outras coisas a imposição de lockdown ou o toque de recolher, atualmente em vigor no país a partir das 18h00.

Vacinação

Pelo menos 1,9 milhão de pessoas receberam pelo menos uma dose das vacinas contra a Covid administradas na França e 366.733 tomaram as duas doses necessárias. A variante sul-africana do coronavírus preocupa especialmente as autoridades francesas, pois existem dúvidas sobre a capacidade do imunizante da AstraZeneca de combater essa cepa

O ministro da Saúde tenta tranquilizar a população. As contaminações pelas mutações “aumentam cerca de 50% por semana na França” e, segundo Olivier Véran, esse ritmo é mais lendo do que nos países que não adotaram um toque de recolher. Na opinião do ministro, as medidas atuais em vigor no pais “são eficazes e permitem estabilizar a situação sanitária”.

Ele garante que as autoridades avaliam os dados da pandemia cotidianamente e não serão surpreendidas se houver um “aumento exponencial de casos”. Olivier Véran acredita ser “possível e desejável que o país não seja obrigado a decretar um novo lockdown”, mas o assunto será discutido nesta quarta-feira (10) em um novo conselho de defesa sanitária, presidido por Emmanuel Macron.

Vários países europeus como Portugal, Reino Unido e Alemanha, que registram um maior número de casos nesta segunda onda da pandemia, adotaram medidas muito mais restritivas para tentar conter a propagação do vírus.

(Com AFP)

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