França programa shows experimentais para testar protocolos anti-Covid

A ministra da Cultura, Roselyne Bachelot, anunciou à imprensa que fará shows experimentais com o objetivo de testar diferentes protocolos sanitários contra a Covid-19.
A ministra da Cultura, Roselyne Bachelot, anunciou à imprensa que fará shows experimentais com o objetivo de testar diferentes protocolos sanitários contra a Covid-19. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas
Texto por: RFI
3 min

O governo francês busca a fórmula ideal para retomar a programação de shows e conferências com grande público, suspensos há vários meses devido à epidemia do novo coronavírus. A ministra da Cultura, Roselyne Bachelot, anunciou à imprensa que fará eventos experimentais em Paris e Marselha, em março e abril, com platéias de 1.000 a 5.000 pessoas, com o objetivo de testar diferentes protocolos sanitários. 

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Em entrevista ao canal de TV LCI, na noite de segunda-feira (15), Bachelot disse que estava otimista em relação à retomada dos festivais e shows para platéias sentadas. "Os espetáculos com público em pé são os mais complicados", disse a ministra. 

Salvo um novo lockdown, na segunda quinzena de março está previsto um concerto com 1.000 pessoas na sala do Domo, em Marselha (sul). Os espectadores ficarão sentados, mas terão a possibilidade de se levantar e circular na sala. Todos os participantes serão testados antes do evento, e os casos positivos para a Covid-19 não serão excluídos do experimento, justamente para que eventuais contaminações possam ser avaliadas. Esta experiência será realizada em parceria com cientistas do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm). Máscaras e álcool gel serão distribuídos gratuitamente, detalha o jornal Le Monde

Ainda na segunda quinzena de março, Paris vai acolher um evento maior, com 5.000 espectadores, na sala Accor Arena, em parceria com pesquisadores da empresa pública AP-HP, que reúne 39 hospitais públicos na região parisiense. Neste concerto, os participantes poderão ficar em pé na frente do palco. 

Na sequência, em 8 de abril, Marselha deverá acolher uma conferência científica europeia. 

Artistas e produtores culturais fizeram vários protestos recentemente contra a falta de previsão de reabertura das salas de espetáculos. Muitos reclamam da proibição dos shows em estádios abertos, por exemplo, onde seria possível garantir uma grande distância entre os espectadores, além do fraco risco de contaminação pelas arquibancadas estarem ao ar livre.

Segundo ano de cancelamentos

Os grandes eventos estão praticamente suspensos desde março do ano passado. Sem visibilidade sobre as condições sanitárias, alguns organizadores de festivais de verão já estão cancelando a programação de 2021, como foi o caso recentemente do Solidays, em Paris. O evento, organizado geralmente em junho, recolhe fundos para pesquisas de combate à Aids.

O cancelamento do Solidays pelo segundo ano consecutivo é emblemático. Realizado no gramado do Hipódromo de Longchamps, no parque Bois de Boulogne, na zona oeste de Paris, o evento propõe uma programação de três dias de concertos, alguns a céu aberto, outros em tendas. Mas o grande sucesso do festival entre o público jovem nos últimos anos fez com que a edição de 2019 batesse um recorde de frequentadores: 228.000 pessoas. Lembranças de uma outra época, quando ainda se acreditava que havia "vida normal".

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