França vai investir € 1 bi em segurança cibernética depois de ataques quadruplicarem em 2020

Técnico de informática tenta restabelecer o sistema do hospital público de Villefranche-sur-Saône, perto de Lyon, atacado por hackers no dia 14 de fevereiro, uma semana depois de outra ação criminosa contra o CHU de Dax.
Técnico de informática tenta restabelecer o sistema do hospital público de Villefranche-sur-Saône, perto de Lyon, atacado por hackers no dia 14 de fevereiro, uma semana depois de outra ação criminosa contra o CHU de Dax. AFP - PHILIPPE DESMAZES
Texto por: RFI
4 min

Em meio a uma onda de ciberataques a hospitais franceses, o presidente Emmanuel Macron anunciou nesta quinta-feira (18) um plano de € 1 bilhão (em torno de R$ 6,57 bilhões) para reforçar a segurança cibernética de sites sensíveis. 

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Nos últimos dias, dois hospitais públicos franceses que recebem pacientes com a forma grave da Covid-19, um deles em Dax (sudoeste) e o outro em Villefranche-sur-Saône (sudeste), foram alvo de hackers que paralisaram as redes de computadores dos estabelecimentos, impedindo a realização de exames, cirurgias e a consulta dos prontuários dos pacientes.

Nesta quinta, antes de detalhar seu plano de investimentos contra a cibercriminalidade, Macron ouviu durante uma hora, por videoconferência, o relato de médicos e funcionários dos dois hospitais sobre as dificuldades que enfrentam.

O presidente destacou que os ataques a sites do serviço público e também do setor privado tornaram-se diários. Na maioria das vezes, o objetivo dos hackers é obter somas importantes de resgate e/ou dados confidenciais das atividades realizadas nos estabelecimentos. "O que vocês sofreram mostra tanto nossa vulnerabilidade quanto a importância de acelerar e investir", declarou o presidente, observando que, em meio à pandemia, esses ataques constituem "uma crise dentro da crise".

Os hospitais, assim como todas as administrações francesas, têm uma "instrução estrita de nunca pagar" resgates, lembrou a Presidência na quarta-feira (17), apesar de os ataques, dos quais 11% são dirigidos contra hospitais, terem quadruplicado em 2020.

O pacote de € 1 bilhão será composto por € 720 milhões de fundos públicos e tem como objetivo fortalecer a segurança cibernética no país. 

Desde 2018, esses ataques, em que hackers bloqueiam o sistema informático de uma empresa ou instituição, e pedem resgate, explodiram na França, no restante da Europa e nos Estados Unidos.

Em 2020, o órgão de vigilância da segurança cibernética na França, Anssi, constatou um aumento de 255% dos ataques com pedido de resgate na esfera pública, nas grandes corporações e nas empresas relacionadas à segurança nacional.

"Pandemia de delinquência cibernética"

“Estamos diante de uma pandemia de delinquência cibernética”, alertou o juiz Xavier Leonetti, da Procuradoria Econômica e Financeira Interregional, sediada em Marselha. Esta unidade do Ministério Público é especializada em crimes desse tipo. Entrevistado pela rádio France Info, Leonetti acolheu o plano do governo como "uma necessidade" e considerou o montante "adequado". 

O juiz lembra que os ataques cibernéticos causaram no ano passado prejuízos estimados em € 600 bilhões no mundo, o equivalente a 1% do PIB global. No caso da França, ele explicou que as equipes de investigação reúnem policiais, militares e negociadores experientes da unidade de elite GIGN, tanto para rastrear os autores dos ataques quanto para evitar a perda de dados das redes de computadores atingidas, sem que o Estado precise pagar os resgates exigidos pelos criminosos.  

Do montante total do plano anunciado nesta quinta-feira, € 75 milhões serão aplicados na criação de um cibercampus no distrito financeiro de La Defense, a oeste de Paris. "O objetivo deste centro de estudos, com inauguração prevista no segundo semestre de 2021, é reunir empresas privadas, estabelecimentos públicos e o Estado para que todos possam discutir", disse o magistrado. Para fortalecer a pesquisa e o desenvolvimento nessa área, o governo reservou € 500 milhões. As trocas entre os atores econômicos, públicos e privados, vão consumir € 150 milhões.

Leonetti ressaltou a importância de o país dispor de "uma seleção francesa" de especialistas focados na construção de uma estratégia "para que todos estejam mais bem protegidos e que todos sigam na mesma direção".

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