O calvário de Jordana, camaronesa de 11 anos retida durante oito dias no aeroporto de Orly

Destaque no jornal Libération desta sexta-feira (19) para a história de Jordana, uma menina de 11 anos, retida durante oito dias no aeroporto de Orly.
Destaque no jornal Libération desta sexta-feira (19) para a história de Jordana, uma menina de 11 anos, retida durante oito dias no aeroporto de Orly. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas
Texto por: RFI
3 min

O jornal Libération desta sexta-feira (19) destaca a história de Jordana, uma menina camaronesa de 11 anos, retida durante oito dias no aeroporto de Orly, na periferia de Paris. "Mais de uma semana, noite e dia, no aeroporto. Uma outra solução poderia ter sido encontrada", afirma a matéria.

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Libé conta que Jordana desembarcou na capital francesa, vinda de Madri, com passaporte da Guiné, no último 5 de fevereiro. Ela estava acompanhada por outras duas menores, também com passaportes guineenses. 

Ao passarem pela polícia de fronteiras, as autoridades tiveram dificuldades em confirmar as identidades das garotas e as três foram multadas em €100. Duas meninas foram liberadas no dia seguinte e puderam encontrar suas mães. No entanto, Jordana ficou retida já que os policiais duvidaram da veracidade da certidão de nascimento apresentada pela mãe no aeroporto. 

Os policiais decidiram então acionar um juiz que identificou a garota como camaronesa e não guineense, e decidiu deixá-la em uma zona de trânsito, "período que durou oito dias", ressalta Libération. Durante esse tempo, o Ministério Público nomeou uma responsável administrativa para acompanhar Jordana "e começou então uma sequência difícil para a criança", reitera a matéria.

Das 7h30 da manhã às 9h da noite, todos os dias, a menina era colocada em um espaço para menores desacompanhados de apenas 6 metros quadrados. À noite, como todas as pessoas retidas em zona de trânsito, ela era levada a um hotel ao lado do local e vigiada por policiais. 

Exausta com a situação, segundo uma testemunha, Jordana parou de falar e comer. Após protestar junto às autoridades, a mãe da garota obteve autorização para levar refeições à menina. O calvário de Jordana continuou, desta forma, durante oito dias, até que na noite de 12 de fevereiro, a menor pôde finalmente deixar o local com a mãe. 

Ajuda social à infância

Libération consultou especialistas em imigração que dizem que o caso deveria ter sido tratado de forma diferente. Jordana poderia ter sido levada a um lar de ajuda social à infância ou ter sido deixada sob responsabilidade de uma família, enquanto as autoridades confirmavam sua identidade. 

O jornal sublinha que o caso da camaronesa de 11 anos não é único. Segundo a Associação Francesa de Assistência às Fronteiras Para Estrangeiros, a cada ano, cerca de 200 menores desacompanhados são levados para as zonas de espera dos aeroportos franceses.

Libé relembra um caso que chocou a França há dois anos, quando dois bebês adotivos foram separados da mãe e levados sozinhos para a zona de espera, mesmo que os documentos estivessem em ordem e os três tivessem autorização para entrar em território francês. Uma situação que o jornal classifica de "grotesca". 

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