Macron pede ao presidente do Irã "ações claras e rápidas" para retomada do acordo nuclear

O presidente francês, Emmanuel Macron, em 17 de fevereiro de 2021.
O presidente francês, Emmanuel Macron, em 17 de fevereiro de 2021. AP - Gonzalo Fuentes

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu nesta terça-feira (2) "ações claras e rápidas" da parte do Irã para que o país "volte a respeitar suas obrigações" previstas pelo acordo sobre o programa nuclear iraniano, assinado em 2015. O apelo ocorre em um momento em que as grandes potências ocidentais tentam salvar o tratado.

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Macron conversou por telefone com o presidente iraniano, Hassan Rohani, segundo comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa. O chefe de Estado expressou "sua profunda preocupação" com as decisões tomadas pelo Irã que "violam o acordo de Viena", reitera a nota.

De acordo com o Palácio do Eliseu, o presidente francês também "lembrou os esforços realizados pela França, junto a seus parceiros, ao longos dos últimos anos, para permitir que uma solução fosse negociada".

A conversa entre Macron e Rohani ocorreu logo depois que o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, anunciou na Assembleia Nacional que a França, junto com a Alemanha e o Reino Unido - três países europeus que fazem do acordo de Viena - pretendem submeter um texto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) condenando a decisão do Irã de suspender algumas inspeções de seu programa nuclear. O objetivo é pressionar Teerã, para que volte a cumprir o conjunto do programa de vistoria previsto pelo compromisso.

No entanto, a ação conjunta dos europeus pode ter um efeito contrário. Mais cedo, o Irã advertiu a AIEA sobre uma possível adoção desta resolução. "Devo alertar que ações que vão contra nossas expectativas terão um impacto negativo no processo diplomático e podem fechar rapidamente a janela de oportunidade" para as negociações, disse o porta-voz do governo iraniano, Ali Rabii.

Teerã já havia alertado que a adoção desse texto "seria absolutamente contraproducente e destrutiva". Também ameaça "encerrar" o acordo técnico temporário concluído em 21 de fevereiro com a AIEA para manter uma vigilância reduzida das atividades nucleares do país. No entanto, para o chefe da diplomacia francesa, a decisão "vai nos levar, nos próximos dias, a emitir um protesto junto ao conselho de governadores da AIEA", com o objetivo de pressionar Teerã.

Acordo de Viena em perigo

O tratado sobre o programa nuclear iraniano, assinado em 2015 em Viena entre as grandes potências e o Irã, tem a meta de garantir que a república islâmica não produza uma bomba atômica. No entanto, o compromisso está ameaçado desde que o ex-presidente americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do acordo com 2018. O magnata também impôs diversas sanções ao governo iraniano em nome de uma política classificada de "pressão máxima". Como resposta, em 2019, Teerã deixou de respeitar a maior parte dos engajamentos previstos.

As esperanças que o acordo sobreviva se renovaram com a eleição do novo presidente americano, Joe Biden. O democrata, que assumiu o poder em janeiro, já expressou várias vezes sua vontade de reintegrar os Estados Unidos ao tratado. Para isso, exige que o Irã volte a respeitar as determinações do compromisso.

O governo iraniano também manifesta sua disponibilidade para voltar a respeitar as resoluções previstas em 2015. Mas, em troca, quer que os Estados Unidos retirem todas as sanções estabelecidas por Trump desde 2018.

Um outro sinal positivo da parte de Teerã ocorreu no último 22 de fevereiro, quando anunciou ter assinado, junto à AIEA, um acordo "temporário", com duração de três meses, para manter uma vigilância reduzida das atividades nucleares do país. O avanço foi registrado depois de “intensas discussões” na capital iraniana entre o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, e autoridades do Irã.

Entretanto, uma lei votada pelo Parlamento iraniano prevê a restrição de certas inspeções, inclusive em locais militares suspeitos, caso as sanções dos Estados Unidos sejam mantidas. “É claro que para conseguir uma situação estável, será necessária negociação política, e não é minha responsabilidade”, afirmou Grossi, após a conclusão do compromisso temporário.

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