França subestima quantidade de casos de Covid-19 nas escolas?

Estudantes usam álcool em gel na chegada à escola, em Estrasburgo, França.
Estudantes usam álcool em gel na chegada à escola, em Estrasburgo, França. AFP/File

A imprensa francesa desta quarta-feira (24) aborda os riscos de contaminação por Covid-19 nas escolas. O jornal Le Parisien pergunta se os números de infecções nos estabelecimentos de ensino seriam subestimados.

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De acordo com o governo francês, foram registrados de 0,35% a 0,5% de casos positivos no ambiente escolar. "Nos contaminamos menos nas escolas do que no resto da sociedade", afirmou Jean-Michel Blanquer, ministro da Educação, citado pela reportagem, comentando os resultados de testes salivares de Covid-19 feitos entre os estudantes.

Mesmo assim, a meta é vacinar os professores franceses até o fim de abril. Até o momento, 2.018 turmas foram fechadas por causa de casos de Covid-19, o equivalente a 0,4% de todas as classes do país. Para o epidemiologista Arnaud Fontanet, o risco de contaminação aumenta para 30% quando existe um aluno está em casa. 

Manter as escolas abertas durante a pandemia "é uma marca registrada da França, quase uma exceção na Europa", como declarou o primeiro-ministo, Jean Castex, ao Parlamento na terça-feira (23). Le Parisien destaca que nos Estados Unidos, Alemanha ou Reino Unido, os estabelecimentos de ensino fecharam as portas quando os números da epidemia começaram a aumentar. 

Porém, de acordo com o jornal, "muitos consideram os números subestimados", a ponto de o governo finalmente ter dado sinal verde para a vacinação dos professores. Em média, entre 20 e 25% das famílias dos estudantes não permitem os testes salivares e apenas 20% dos adolescentes são voluntários para os testes PCR. 

O fechamento das cantinas escolares será a última opção, afirma o ministro da Educação, estimando que o convívio na hora das refeições é um elo social importante para os alunos. 

250 mil testes salivares

O jornal Le Monde traz números sobre as contaminações entre crianças: elas eram 15.484, em 19 de março, contra 9.221, na semana anterior. O aumento, em parte, se deve a intensificação de testes salivares, que chegaram a 250.000 na sexta-feira (20). Os casos de Covid-19 também crescem entre os funcionários das escolas: 1.809 casos, em 19 de março, contra 1.106, há dez dias. 

Citando o ministro Jean-Michel Blanquer, o diário destaca que a França tenta evitar uma "catástrofe educacional mundial" e reforça que os riscos de contaminação nas escolas são menores do que as consequências do atraso no ensino.

A reportagem também aborda a dificuldade de substituição dos professores doentes ou de casos suspeitos de Covid-19. Para os sindicatos da categoria, a falta de profissionais para substituir os doentes demonstra "um sistema escolar no limite, frente à uma situação sanitária que se degrada a cada dia". "Não poderemos continuar sem garantir uma proteção suplementar aos professores", alerta Catherine Nave-Bekhti, da central sindical SGEN-CFDT.

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