França: marchas para o clima reúnem centenas de milhares de manifestantes em todo o país

Em Paris, vários milhares de pessoas marcharam para exigir um texto mais ambicioso para o clima. Ao todo, mais de 180 eventos sobre o clima foram organizados em toda a França neste domingo (28)
Em Paris, vários milhares de pessoas marcharam para exigir um texto mais ambicioso para o clima. Ao todo, mais de 180 eventos sobre o clima foram organizados em toda a França neste domingo (28) AFP - LOIC VENANCE

Cerca de 110 mil pessoas se manifestaram em toda França por uma lei sobre o clima, que vai ser apreciada pela Assembleia Nacional a partir desta segunda-feira (29), incluindo 55 mil em Paris e 10 mil em Lyon, de acordo com os organizadores do movimento. A polícia contou 12.000 pessoas em Paris e 4.000 em Lyon.

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O apelo à manifestação contou com a adesão de dezenas de ONGs, sindicatos e partidos para denunciar a “falta de ambição” do projeto de lei clima e resiliência, que deveria refletir boa parte das propostas da Convenção Cidadã para o Clima (CCC).

Este exercício democrático sem precedentes, convocado por Emmanuel Macron na esteira da crise dos coletes amarelos, teve 150 cidadãos sorteados e treinados pelos melhores especialistas em clima para propor medidas para "reduzir as emissões de gases de efeito estufa da França em pelo menos 40% em um espírito da justiça social ".

Macron não teria cumprido sua promessa

Mas, para os ambientalistas, não sobrou muito das 149 propostas da convenção que passaram pelo moinho do governo, acusado de ceder a lobbies econômicos, longe da promessa de Emmanuel Macron aos "cidadãos" de transmitirem suas medidas "não filtradas".

Muitos dos 150 cidadãos também aderiram à convocatória para manifestar neste domingo, como Nadine Breneur, integrante da CCC que marchou em Estrasburgo (1.100 participantes, segundo a prefeitura): "Os textos foram modificados, diluídos, mesmo postos de lado, me sinto traída" .

Em Rennes (1.700 pessoas segundo a polícia, mais de 2.000 segundo os organizadores), Grégory dos Santos, outro dos 150, também é amargo: “A lei do clima tal como é hoje é uma concha vazia. É preciso medidas como esta para que algo aconteça".

"Parem de blá blá blá"

Em Paris, uma grande multidão marchou atrás de uma faixa "Parem de blá blá blá, passem à ação" em uma manifestação festiva, animada por músicos. Os manifestantes desfilaram com cartazes denunciando a atitude do presidente francês. "Macron, sua lei de papelão vai para o lixo amarelo [aquele reservado às embalagens]" foi um grande sucesso, como as variações como: "Sem filtro, você fuma a gente".

“Não há negociações possíveis com o clima, é uma corrida contra o tempo”, martelou o diretor de cinema e ativista ambiental Cyril Dion, promotor da CCC, para denunciar a implementação de suas propostas pelo Executivo, que “faz de tudo não permitir que a França mantenha seus objetivos em termos de redução das emissões de gases de efeito estufa".

Outra figura tutelar da CCC, a economista Laurence Tubiana, chefe do acordo climático de Paris 2015 e co-presidente do comitê de governança da convenção, marchou em Montpellier. "Os franceses estão pedindo mais de seus deputados e de seu governo: uma lei climática realmente ambiciosa, onde o aspecto social seja a espinha dorsal dessa transição necessária", disse.

"Medidas mais ambiciosas"

Muitos manifestantes também pediram aos parlamentares que melhorassem o projeto de lei, sobre o qual foram apresentadas cerca de 7.000 emendas. Assim como, paradoxalmente, a Ministra da Transição Ecológica, Bárbara Pompili, que perdeu um certo número de arbitragens durante a elaboração do texto.

"Continuo a lutar para que tenhamos as medidas mais ambiciosas possíveis", declarou ela à rádio France Inter, dizendo "esperar que os parlamentares ainda possam votar por certos avanços". No entanto, ela garantiu que o texto permanecerá como "uma das maiores leis do mandato" de Macron.

Questionada sobre as manifestações, cujo sucesso ainda não era aparente quando falou, a ministra garantiu que "é muito bom que as marchas pelo clima existam”. "Estou feliz que essa preocupação ainda esteja lá."

Os organizadores já estão convocando uma nova marcha em 9 de maio "se a lei for aprovada como está".

(Com informações da AFP)

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