Terceiro lockdown e escolas fechadas complicam vida dos franceses, diz imprensa

Jornais franceses desta sexta-feira (2) destacam a exaustão dos franceses, após mais de um ano de medidas sanitárias contra a Covid-19.
Jornais franceses desta sexta-feira (2) destacam a exaustão dos franceses, após mais de um ano de medidas sanitárias contra a Covid-19. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

Os principais jornais desta sexta-feira (2) tratam das novas medidas impostas na França para barrar a propagação das variantes do coronavírus. A partir de segunda-feira (5), o país inteiro passa a obedecer um novo lockdown - o terceiro desde o início da crise sanitária - e as escolas voltam a fechar as portas.

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"Os franceses se preparam para enfrentar o confinamento" é manchete de capa do jornal Le Figaro. O diário lembra que, no pronunciamento que fez na quarta-feira (31), o presidente Emmanuel Macron pediu um esforço extra à população, após mais de um ano de restrições. A matéria afirma que os franceses até estão de acordo com as medidas e compreendem a gravidade da situação, mas estão exaustos com as sucessivas proibições. 

O jornal divulga uma pesquisa realizada pelo instituto Odoxa que aponta que 71% dos entrevistados aprovam restrições, como o limite de circulação além de 10 quilômetros de casa e a impossibilidade de transitar entre regiões. No entanto, 46% dizem que não irão respeitar todas as medidas.

Divisão de opiniões também sobre o fechamento das escolas durante três semanas - medida apoiada por 72% ddos entrevistados. No entanto, para mães e pais de alunos, a situação é vista de outra forma: 60% das pessoas ouvidas nesta pesquisa acham complicado cuidar das crianças em casa ao mesmo tempo em que precisam trabalhar. 

De ponta-cabeça

"Nossa vida de cabeça para baixo" é manchete do jornal Le Parisien. Para o diário, as novas decisões do governo atropelaram o cotidiano das famílias.

A reportagem entrevistou mães e pais que, na próxima semana, estarão encarregados de acompanhar as aulas on-line das crianças, antes de duas semanas de férias escolares. Neste período, muitas famílias continuarão trabalhando normalmente e outras tiveram que se adaptar, no último momento, negociando com empresas e empregadores dias de folga, férias ou home office. 

Mas, depois de um ano que o jornal classifica de "rocambolesco", a exaustão é visível em mães e pais. Muitos ainda não conseguiram se organizar e encontrar soluções para se dividir entre o trabalho e a educação dos filhos nas três próximas semanas e apostam no improviso. "Ainda não sabemos como faremos", diz a francesa Angélique à reportagem. 

Dúvidas sobre novas medidas

"Covid-19: corrida com obstáculos" é manchete de capa do jornal La Croix. "Para frear a epidemia, o chefe de Estado aposta na aceleração da vacinação, no aumento de vagas nas UTIs e no fechamento das escolas por três semanas. Se a maior parte dos especialistas está de acordo sobre a necessidade dessas medidas, há muitas dúvidas sobre a execução delas", destaca a matéria. 

Já o jornal Libération trata da questão sob a visão dos profissionais da saúde. "Cansados de ser pacientes", é a manchete de capa do jornal que afirma que o pedido de Macron por um último esforço é visto com ceticismo por parte desses trabalhadores que estão há um ano na linha de frente do combate à Covid-19. "Nos hospitais, o sentimento é de abandono e revolta", afirma o diário. 

 

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