Pichações islamofóbicas em centro muçulmano chocam a França dois dias antes do Ramadã

A imagem mostra pichações com os dizeres 'Imigração mata', espalhadas nas paredes da mesquita de Avicena e do centro cultural islâmico em Rennes, no oeste da França.
A imagem mostra pichações com os dizeres 'Imigração mata', espalhadas nas paredes da mesquita de Avicena e do centro cultural islâmico em Rennes, no oeste da França. AFP - HANDOUT

O ministro do Interior da França, Gérald Darmanin, expressou neste domingo (11) "todo o desgosto" que as pichações anti-muçulmanas no centro cultural islâmico de Avicena, em Rennes, provocaram no governo francês, e prometeu "proteger" os locais de culto muçulmanos, dois dias antes do início do mês sagrado do Ramadã.

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“O presidente [francês Emmanuel Macron] me pediu que dissesse aos dirigentes desta associação [muçulmana] o quanto repugnamos estas inscrições que são insultos, insultos aos muçulmanos franceses, insultos à França”, declarou o ministro do Interior da França, após um encontro com os responsáveis pelo centro.

"Qualquer lugar de culto, qualquer lugar de inspiração religiosa é bem-vindo em nosso país e devemos proteção aos nossos companheiros muçulmanos, como devemos aos nossos irmãos cristãos ou judeus", acrescentou.

"Dois dias antes do mês do Ramadã, quero dizer aos nossos companheiros muçulmanos que instruções foram dadas aos prefeitos na sexta-feira para protegê-los particularmente durante este período de festa religiosa", disse ainda o ministro francês.

Referindo-se às pichações "imundas", ele assegurou que "a República deve proteger todos os seus filhos". Na manhã deste domingo, as pichações racistas foram encontradas nas paredes exteriores do Centro Islâmico de Avicena, onde se podia ler em particular: "as Cruzadas vão recomeçar", "Charles Martel nos salva", "não à islamização", "França eterna".

O Ramadã, mês religioso de jejum dos muçulmanos, terá início terça-feira na França, segundo confirmação da Grande Mesquita de Paris deste domingo. O reitor da mesquita Chems-eddine Hafiz confirmou esta data durante uma reunião no domingo à noite com várias federações de mesquitas destinadas a fixar a data, ainda que esta última tenha sido anunciada há dez dias pelo Conselho Francês de Culto Muçulmano (CFCM).

Ramadã e pandemia

Como no ano passado, este mês muçulmano de jejum, oração e partilha é marcado pelo contexto de crise sanitária. Devido ao toque de recolher e ao fechamento dos locais de culto às 19 horas, não há "tarawih" - aquelas orações noturnas específicas do Ramadã na mesquita.

 As autoridades religiosas também desaconselham a aglomeração fora de casa ou entre vizinhos na hora do "iftar", refeição diária para quebrar o jejum, quando costuma ser uma componente social, de convívio ou mesmo festiva deste mês.

O CFCM e a Mesquita de Paris também alertam os fiéis que se perguntavam sobre a legalidade ou não da vacinação, que esta não era considerada "nutritiva". Portanto, "a injeção" de uma vacina anti-covid "não invalida o jejum".

A mesquita de Paris também imprimiu um panfleto para os fiéis, pedindo pela vacinação: “a vacinação é um ato de preservação da vida recomendado no Islã”.

A França tem entre cinco e seis milhões de muçulmanos praticantes e não praticantes, de acordo com vários estudos sobre o assunto (Pew Research Centre, Montaigne Institute, Insee, Ined), o que torna o islamismo a segunda religião do país. E torna a comunidade muçulmana francesa a primeira na Europa.

Durante o Ramadã, um dos pilares do Islã, os fiéis são incentivados a se abster de beber, comer, fumar e fazer sexo desde o amanhecer - assim que se puder "distinguir um fio branco de um fio preto", diz o Alcorão - até o pôr do sol.

O jejum no Ramadã é prescrito para muçulmanos na puberdade, mas há isenções para viajantes, doentes, idosos, mulheres grávidas ou mães recentes. 

(Com informações da AFP)

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