Variantes brasileiras da Covid-19: médicos e políticos na França exigem o bloqueio de voos do Brasil

Destaque na imprensa francesa desta terça-feira(13), no jornal Le Parisien para "Variante brasileira: cresce a preocupação com as novas mutações do vírus".
Destaque na imprensa francesa desta terça-feira(13), no jornal Le Parisien para "Variante brasileira: cresce a preocupação com as novas mutações do vírus". © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

Cresce a pressão na França para o governo suspender os voos provenientes do Brasil, para evitar a importação de novas variantes brasileiras do coronavírus. O líder da oposição conservadora na Assembleia Nacional, deputado Damien Abad, disse nesta terça-feira (13) que o fechamento das fronteiras é "útil e absolutamente necessário", no momento em que especialistas alertam sobre a gravidade da pandemia no Brasil e recomendam a adoção de um isolamento obrigatório e vigiado de pelo menos 10 dias a todos os viajantes que chegam do Brasil.

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O pediatra Rémi Salomon, presidente da comissão profissional de médicos que trabalham nos 39 hospitais públicos da região parisiense, defende que a França faça como Portugal, que interrompeu temporariamente voos provenientes do Brasil. Até o momento, a variante brasileira P1 representa apenas 0,5% dos casos diagnosticados no território francês, onde a cepa britânica é predominante. Mas devido à falta de controle da epidemia no Brasil, as mutações tendem a se multiplicar e se tornar resistentes às vacinas, advertem os especialistas.

O ministro francês dos Transportes, Jean Baptiste Djebbari, afirmou ontem que a França é obrigada a manter as conexões aéreas com o Brasil, segundo um parecer do Conselho de Estado, instância que avalia o cumprimento da Constituição. “O Conselho de Estado nos disse que cidadãos franceses e residentes na França, em nome da liberdade de circulação, devem poder continuar a ir e vir, o que não foi o caso de Portugal ou de outros países”, explicou.

Brasil é ameaça às campanhas de vacinação

O jornal Le Parisien entrevista vários médicos sobre os riscos que representam as variantes brasileiras. O epidemiologista Antoine Flahault, da Universidade de Genebra, destaca que apesar de a cepa britânica ser atualmente predominante no território francês e nos países europeus, uma mutação vinda do Brasil pode ser a próxima ameaça às campanhas de vacinação na Europa.

"A cepa P1, de Manaus, matou milhares de pessoas na Amazônia, mas agora existe também a variante P2 e a terrível Belo Horizonte, que combina 18 mutações", escreve o diário francês.

Rémi Salomon também defende nas páginas do Parisien um reforço dos controles nos aeroportos e uma quarentena compulsória dos viajantes. Atualmente, a entrada de brasileiros ou de europeus provenientes do Brasil foi restringida a 1.000 pessoas por semana nos países da União Europeia, mas basta uma dezena de casos positivos para que a forma mais agressiva da Covid-19 se espalhe no bloco.

O virologista Bruno Lina, membro do conselho científico que assessora o presidente Emmanuel Macron, disse ao jornal francês que a variante brasileira é mais perigosa do que a britânica porque escapa da vacinação. O mesmo acontece com a variante sul-africana. Enquanto a P1 brasileira é responsável por 0,5% dos casos na França, a cepa sul-africana chegou a 5%. Bruno Lina critica a falta total de controle da epidemia no Brasil, que cria o ambiente para a emergência de mutações do vírus resistentes aos anticorpos produzidos pelos imunizantes, desenvolvidos em tempo recorde.

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