França pretende doar 100 mil doses da vacina da AstraZeneca à Covax em abril

Uma trabalhadora de saúde nigeriana recebe a vacina da AstraZeneca em Lagos.
Uma trabalhadora de saúde nigeriana recebe a vacina da AstraZeneca em Lagos. AP - Sunday Alamba

A França anunciou nesta quarta-feira (21) que pretende doar aos países africanos cerca de 100.000 doses de vacinas da AstraZeneca ainda neste mês de abril, como parte do programa Covax, e espera doar 500.000 no total até meados de junho. O imuzinante britânico encontra rejeição entre os franceses, que preferem esperar pela chegada de novos lotes da vacina da Pfizer/BioNtech.

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Ao oferecer essas doses, que foram engarrafadas na Itália, a França inaugurará o mecanismo europeu de compartilhamento de doses com a Covax, disse a presidência francesa.

Os acordos com o programa da ONU dizem respeito inicialmente às vacinas da AstraZeneca, mas este mecanismo de compartilhamento deve cobrir toda a gama de vacinas disponíveis para a Europa, de acordo com Paris.

A Covax está atualmente prejudicado pela decisão da Índia, que iria produzir doses para o programa, de bloquear as exportações dos imunizantes no momento, lembrou a França.

Na semana passada, a Covax lançou uma campanha para arrecadar US$ 2 bilhões adicionais e poder reservar doses de vacinas anticovid.

O programa permite que 92 países mais pobres obtenham doses de vacinas, graças aos fundos levantados por doadores. É co-liderado pela OMS, a aliança de vacinas Gavi e a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations. A meta é distribuir doses suficientes para imunizar até 27% da população dos 92 países mais pobres até o final do ano.

O sistema Covax já distribuiu mais de 38 milhões de doses para 113 países.

A França pode realmente ficar sem a vacina da AstraZeneca?

A revista L'Express publica esta pergunta nesta quarta-feira, questionando a decisão francesa.  A França pode fechar a porta para a vacina britânica, diz a publicação: "Foi o que deu a entender a ministra da Indústria francesa, Agnès Pannier-Runacher, na sexta-feira passada".

A decisão não foi oficialmente tomada, mas após a Dinamarca descartar definitivamente o soro britânico, "é grande a probabilidade" de que a Europa não faça novos pedidos do imunizante da AstraZeneca, disse a ministra à rádio RMC.

Enquanto continua sendo alvo de críticas devido aos raros registros de coágulos em alguns vacinados, o desejo de deixar de utilizar a vacina britânica é sentido na França. Esse mesmo sentimento foi expressado pelo comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton.

No último domingo (18), ele explicou que o contrato europeu de vacinas contra a Covid-19 com o grupo farmacêutico AstraZeneca não pôde ser renovado devido aos atrasos nas entregas acumulados desde o início do ano. "Somos pragmáticos", justificou, em entrevista ao canal de TV BFM.

Uma reportagem desta quarta-feira no site da France Info revela que os franceses preferem esperar as novas doses do imunizante da Pfizer/BioNtech ao invés de se vacinar com o soro da AstraZeneca.

Como publicado no Le Figaro na terça-feira (20), a França optou por colocar a vacina Pfizer-BioNTech no centro de sua campanha de imunização. De acordo com as previsões de 20 de abril, o governo francês estima que a Pfizer represente 62% das doses esperadas de dezembro a junho, contra 18,8% da AstraZeneca e 8,7% da Moderna.

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