França: autor de ataque a policial era radical com "problemas psiquiátricos"

Ataque em Rambouillet foi o 17º na França desde 2014.
Ataque em Rambouillet foi o 17º na França desde 2014. BERTRAND GUAY AFP

O ataque a uma policial em uma delegacia perto de Rambouillet, em Paris, foi cometido por Jamel Gorneche, um tunisiano de 36 anos. Sua radicalização parece "pouco contestável" e ele apresentava "transtornos de personalidade", disse o procurador nacional da divisão francesa de luta contra o terrorismo, Jean-François Ricard, em entrevista coletiva à imprensa neste domingo (25).

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De acordo com Ricard, vários elementos corroboram a tese da radicalização do suspeito, que vinha ocorrendo há alguns meses. A análise de seu telefone revelou que o agressor, antes do ataque, "consultou vídeos de cantos religiosos que glorificavam a jihad e seus mártires". Um exemplar do Corão também foi encontrado em sua motocicleta, perto do local do crime, assim como um tapete usado para as orações cotidianas, que estava dentro de uma sacola.

Pouco antes do crime, uma câmera de segurança filmou o suspeito se dirigindo até uma sala de oração. Cerca de uma hora mais tarde, Gorneche foi visto indo para o centro da cidade. Segundo o procurador, essa é a 17ª ação terrorista cometida na França desde 2014 contra forças de sergurança.

Durante sua detenção para interrogatório, o pai do agressor declarou que seu filho havia adotado "uma prática rigorosa do Islã" e mencionou que ele tinha "problemas de comportamento", desde o início do ano, segundo o procurador francês.

Sem ficha na polícia

Jamel Gorchene havia solicitado uma "consulta psiquiátrica" no centro hospitalar de Rambouillet, em 19 de fevereiro, e depois agendou um novo horário no dia 23. De acordo com o procurador francês, seu estado não necessitava de hospitalização ou tratamento.

A policial francesa Stéphanie M. sofreu o ataque na sexta-feira (23), quando chegava à delegacia em que trabalhava. O agressor entrou atrás dela e deu duas facadas na agente, uma no abdômen e outra na garganta. Segundo testemunhas, ele gritou "Allah Akbar". Cinco pessoas foram detidas após o ataque. O último detido é um sobrinho de Gorneche. Seu pai, que morava com ele em Rambouillet, e outro sobrinho, já estavam presos desde sexta-feira e sábado.

Tunísia condena ato

A Tunísia, que está colaborando com a França na investigação, condenou o ato em um comunicado. O país denunciou um "ato bárbaro" em pleno mês do Ramadã, mês santo que "encarna valores de tolerância e fraternidade entre indivíduos. " O tunisiano, que trabalhava como entregador,  não tinha ficha na polícia e não integrava a lista de suspeitos de terrorismo. 

Originário de Msaken, na costa leste da Tunísia, Jamel Gorneche chegou clandestinamente na França em 2009 e foi regularizado dez anos mais tarde. Ele obteve um visto temporário em dezembro. Recentemente, ele retornou à Tunísia pela primeira vez desde que trocou o país pela França, de acordo com sua família.

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