Mais de 100 mil celebram Dia do Trabalho com quase 300 manifestações na França

Um manifestante segura um cartaz com dizeres "O capitalismo destruiu tudo", e uma imagem do presidente francês Emmanuel Macron vestido com uma coroa, durante a tradicional marcha sindical do Dia de Maio, em meio à pandemia de Covid-19 em Paris, França, em 1º de maio de 2021.
Um manifestante segura um cartaz com dizeres "O capitalismo destruiu tudo", e uma imagem do presidente francês Emmanuel Macron vestido com uma coroa, durante a tradicional marcha sindical do Dia de Maio, em meio à pandemia de Covid-19 em Paris, França, em 1º de maio de 2021. REUTERS - GONZALO FUENTES

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se na França neste sábado (1°), por ocasião do dia 1º de maio, o tradicional feriado do Dia do Trabalho no país, numa convocação feita por vários sindicatos franceses, especialmente em Paris, onde eclodiram confrontos com a polícia. O Ministério do Interior da França contabilizou 281 manifestações no país, reunindo 106.650 pessoas, incluindo 17.000 em Paris. A CGT, a maior força sindical francesa, contou, por sua vez, cerca de 170.000 manifestantes em todo o território.

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Depois de 2020, quando a pandemia de Covid-19 impediu a realização dos tradicionais desfiles, cerca de 300 manifestações foram organizadas este ano, em particular em Lyon, Nantes, Lille, Toulouse e Paris.

Na capital francesa, os coletes amarelos juntaram-se ao protesto ao lado dos sindicatos que haviam convocado a mobilização. O sindicato CFDT, por sua vez, optou por um 1º de maio "virtual" diante do contexto de saúde na França marcado por um número ainda elevado de novas contaminações.

Um 'colete amarelo' gesticula perto de materiais incendiados durante os tradicionais protestos do 1º de maio, em meio ao surto da Covid-19 em Paris, França, em 1º de maio de 2021.
Um 'colete amarelo' gesticula perto de materiais incendiados durante os tradicionais protestos do 1º de maio, em meio ao surto da Covid-19 em Paris, França, em 1º de maio de 2021. REUTERS - STAFF

Na chuva, os participantes carregavam cartazes criticando, em particular, a "fragmentação" da legislação trabalhista e a polêmica reforma em curso do Seguro Desemprego.

Presente na procissão, Philippe Martinez, número um do grande sindicato CGT, explicou aos jornalistas que a mobilização teve a finalidade de "prevenir os franceses de que o mês de maio e os meses seguintes ser idênticos ao que conhecíamos antes do confinamento ou seja, muito dinheiro para aqueles quem tem muito e menos ainda para quem não tem”.

No entanto, alguns confrontos eclodiram rapidamente no início do desfile, a polícia intervindo em várias ocasiões para impedir a formação de um "Black Bloc". Várias latas de lixo foram incendiadas e a janela de uma agência bancária foi vandalizada.

Um total de 5.000 policiais e gendarmes foram posicionados na capital, onde 46 pessoas foram presas, segundo o Ministério do Interior da França.

Outras dez pessoas foram presas nas diferentes regiões, informou o ministério, que também relatou que seis policiais ficaram feridos, incluindo três em Paris.

O presidente francês Emmanuel Macron, sua esposa Brigitte e o CEO da Rungis Market, Stephane Layani, participam da tradicional cerimônia do Lírio do Vale no Palácio do Eliseu em Paris, França, em 1º de maio de 2021. Ludovic Marin / Pool via REUTERS
O presidente francês Emmanuel Macron, sua esposa Brigitte e o CEO da Rungis Market, Stephane Layani, participam da tradicional cerimônia do Lírio do Vale no Palácio do Eliseu em Paris, França, em 1º de maio de 2021. Ludovic Marin / Pool via REUTERS REUTERS - POOL

Origens do Dia Internacional do Trabalho na França

Na França, mesmo se o 1º de maio é um dia de folga remunerado desde 1947, o Dia do Trabalho teve sua origem nas manifestações de funcionários norte-americanos que, em 1886, exigiam a jornada de trabalho de 8 horas, como relata o jornal francês Le Figaro (direita).

Em 1886, sob pressão sindical, mais de 200.000 trabalhadores norte-americanos conquistaram o direita a uma jornada de trabalho de 8 horas. Porém, para que essa medida fosse generalizada, os funcionários tiveram que se revoltar.

Três anos depois dos tumultos em Chicago, a Internacional Socialista se reúne na capital francesa e adota o dia 1º de maio como “Dia Internacional dos Trabalhadores”. Em 1890, os manifestantes usavam um triângulo vermelho que simbolizava sua tripla demanda: 8 horas de trabalho, 8 horas de sono, 8 horas de lazer.

Mas o emblema logo será substituído por uma flor de rosa selvagem, antes que o lírio do vale a substitua mais tarde, o famoso "muguet".

A medida é assumida pelo governo constituído após a Liberação. O dia 1º de maio se torna  um dia de folga remunerado. No entanto, o nome "Dia do Trabalho" continua sendo um costume e não um nome oficial.

Hoje, o Dia do Trabalho é feriado em quase todos os países europeus, exceto na Holanda e na Suíça. No resto do mundo, o 1º de maio também é comemorado na Rússia, Japão, África do Sul e América Latina. Nos Estados Unidos, onde nasceu esta tradição, o “Labo Da” é festejado na primeira segunda-feira de setembro.

(Com AFP)

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