Franceses vão às ruas pedir mais ambição do governo em matéria de meio ambiente

Pessoas com cartazes durante protesto por medidas mais ambiciosas em matéria de ecologia do governo francês, em Paris, 9 de maio de 2021.
Pessoas com cartazes durante protesto por medidas mais ambiciosas em matéria de ecologia do governo francês, em Paris, 9 de maio de 2021. AFP - MARTIN BUREAU

Milhares de pessoas se manifestaram neste domingo (9) em toda a França para pedir medidas mais ambiciosas do governo francês em matéria de ecologia e em defesa de um referendo para incluir a proteção do clima na Constituição.

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De acordo com os organizadores, 115.000 pessoas participaram de 163 passeatas em todo o país, entre elas 56.000 em Paris. Manifestações foram organizadas também em Besançon, Chartres, Cherbourg, Lannion, Laval, Lille, Martigues, Nantes, Quimper, Saint-Brieux e Estrasburgo.

O presidente Emmanuel Macron se comprometeu, atendendo aos apelos da Convenção Cidadã pelo Clima (CCC), a enviar ao Parlamento uma proposta de modificação do artigo 1 da Constituição, votada através de um referendo. Mas diante da resistência do Senado – o texto deve ser votado nos mesmos termos pelas duas câmaras para poder ser submetido a referendo –, o presidente teria renunciado à consulta.

O Eliseu garante que a modificação constitucional não foi “de maneira nenhuma enterrada” sem, no entanto, citar o referendo. “O que eu garanto é que não haverá abandono”, insistiu Macron neste domingo, durante uma viagem oficial à Estrasburgo.

Senado conservador

O texto a ser incluído na Constituição estipula que a França “garante a preservação do meio ambiente e da biodiversidade e a luta contra a crise climática.” Mas o Senado francês, que tem uma maioria conservadora em matéria ambiental, rejeita a alteração, temendo que a preservação do meio ambiente tenha prioridade sobre outros princípios constitucionais.    

Ecologistas, partidos de esquerda e sindicatos acreditam que esta seja uma nova manobra do executivo. Além da possível anulação do referendo, os manifestantes também denunciaram a falta de ambição da Lei sobre clima e resiliência, votada na terça-feira (4) no Parlamento.

O texto tinha o objetivo de representar as 149 propostas da CCC – um grupo de cidadãos comuns convocados por Emmanuel Macron após a crise dos coletes amarelos – para reduzir em 40% as emissões de gases do efeito estufa da França conjugando justiça social.

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