Voo AF447: Justiça francesa ordena que Air France e Airbus sejam julgadas por responsabilidade no acidente

O Tribunal de Paris pediu que a Air France e a Airbus fossem julgadas por homicídio culposo no acidente com o voo AF447. O acidente causou a morte de 228 pessoas em 1 de junho de 2009.
O Tribunal de Paris pediu que a Air France e a Airbus fossem julgadas por homicídio culposo no acidente com o voo AF447. O acidente causou a morte de 228 pessoas em 1 de junho de 2009. ASSOCIATED PRESS - Eraldo Peres

O Tribunal de apelação de Paris ordenou na quarta-feira (12) que a Air France e a Airbus sejam julgadas por “homicídio culposo” por responsabiliade indireta na queda do voo Rio-Paris que matou 228 pessoas em 2009. A companhia aérea e a construtora disseram que vão recorrer da decisão.

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O anúncio, que foi recebido com alívio pelas famílias das vítimas, anula a resolução que isentava a companhia aérea e a Airbus de responsabilidade na tragédia, proferida ao final das investigações.

“É uma imensa satisfação ter o sentimento de finalmente ser ouvida pela Justiça”, declarou, muito emocionada, a presidente da associação Ajuda e solidariedade AF447, Daniele Lamy.

“Mas nós lamentamos que tenham sido necessários 12 longos anos para chegar aqui, 12 anos de determinação sem falha, cheios de incertezas, de trâmites abusivos e obscuros, de desânimo, mas jamais de resignação”, afirmou.

Empresas vão recorrer

Os advogados da Airbus, Simon Ndiaye e Antoine Beauquier, imediatamente anunciaram que pretendem recorrer, denunciando uma “decisão não justificada” que, segundo eles, “entra em contradição com os juízes de instrução que conhecem bem o caso”.

Um dos advogado da Air France, François Saint-Pierre, também negou que a companhia aérea tenha “responsabilidade penal na origem deste terrível acidente”.

Em 31 de maio de 2009, o voo da Air France AF447, que fazia a rota do Rio de Janeiro a Paris, caiu no oceano Atlântico. Os pilotos, desorientados por uma falha técnica no Airbus 337, que surgiu ao atravessarem um zona meteorológica instável, não conseguiram solucionar o problema. O acidente causou a morte de 216 passageiros e 12 membros da tripulação.

Em 29 de agosto de 2019, após 10 anos de investigações marcadas por uma guerra de especialistas, os juízes de instrução do Tribunal de Paris decidiram  isentar as duas empresas de responsabilidades, alegando que as investigações “não caracterizaram falha da Airbus ou da Air France ligada (…) a erros de pilotagem (…) na origem do acidente”.

Responsabilidade

O Ministério Público defendia que as “causas indiretas” do acidente eram imputáveis a falhas das duas empresas: os responsáveis da Air France “se abstiveram de impor a formação e a informação”, necessária à tripulação, enquanto a Airbus “subestimou a gravidade dos defeitos nas sondas” Pitot, que mediam a velocidade, e não agiu o suficiente para corrigí-los.

O congelamento das sondas foi o elemento causador da catástrofe. O gelo se formou, de acordo com especialistas, após a passagem da aeronave, em grande altitude, em um aglomerado de nuvens, o que conduziu a uma incoerência nas medidas de velocidade e desorientou os pilotos até a queda do aparelho, em menos de quatro minutos.

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