Francês é indiciado e preso pela morte da namorada brasileira grávida na Guiana Francesa

Familiares de Karina Antunes Gama de Souza organizaram várias manifestações para exigir justiça após o assassinato da brasileira, ocorrido em maio de 2020 na Guiana Francesa.
Familiares de Karina Antunes Gama de Souza organizaram várias manifestações para exigir justiça após o assassinato da brasileira, ocorrido em maio de 2020 na Guiana Francesa. © Facebook Justice pour Karina

O francês Sylvain Kereneur, 34 anos, foi indiciado na Guiana Francesa como principal suspeito do assassinato da franco-brasileira Karina Antunes Gama de Souza, encontrada morta em 15 de maio do ano passado na enseada de Cacau, a 50 quilômetros da capital, Caiena. Ele foi colocado em prisão preventiva e responderá à acusação de homicídio conjugal com agravante, já que a legislação francesa não prevê a qualificação de feminicídio.

Publicidade

Mais de um ano após a morte da brasileira, o suspeito foi preso em casa na última terça-feira (31) em Antibes, no sul da França, e transferido para a Guiana Francesa na sexta-feira (4), informaram as autoridades neste sábado (5).

Os médicos legistas que realizaram a necrópsia no corpo de Karina, que tinha 22 anos, concluíram que ela foi morta asfixiada e estava grávida de seis a oito semanas. 

Durante os interrogatórios, o acusado alegou que sua namorada tinha "graves ataques de ciúme". O suspeito explicou que durante uma briga do casal, no dia 14 de maio de 2020, ele tapou a boca da mulher com a mão "para que ela não gritasse", mas Karina acabou desmaiando e ele percebeu "que ela não respirava" mais. Em seguida, ele transportou o cadáver da brasileira para a praia de Cacau em seu carro. Kereneur tentou queimar o corpo da companheira, mas não conseguiu.  

Em maio de 2015, o francês já tinha sido suspeito pela morte de outra jovem brasileira, Camilla Marques Pereira, assassinada por asfixia e cujo corpo foi encontrado carbonizado em 2006. Um dos advogados de Kereneur neste primeiro caso é Eric Dupont Moretti, atual ministro da Justiça da França. Agora, o procurador da Guiana Francesa, Samuel Finielz, diz que o Ministério Público estuda a reabertura desse inquérito, que foi arquivado, e Kereneur pode ter de responder pelas mortes das duas brasileiras. 

No corpo de Karina, os investigadores encontraram inúmeros vestígios de DNA do suspeito. Na época, o caso teve forte repercussão na França e no Brasil. A família da vítima havia declarado o desaparecimento da jovem grávida. Autoridades diplomáticas brasileiras chegaram a solicitar esclarecimentos ao governo francês sobre o caso.

Relacionamento abusivo

Segundo familiares e investigadores, o casal vivia um relacionamento conturbado, marcado por períodos de vida em comum e separações. A mãe de Karina, Neuza Gama de Souza, a tia Telma Gama de Souza e a prima Talita Campos Ribeiro relatam que o francês batia com frequência na jovem brasileira, e que ela várias vezes pediu a ajuda de familiares. Mas nenhuma queixa por violência doméstica foi declarada à polícia. De acordo com Neuza, o companheiro da filha tinha "mania de grandeza", gostava de falar de casas, carros e barcos luxuosos.

Karina, nascida em 1996 em Macapá, chegou aos 4 anos à Guiana Francesa, onde a mãe já trabalhava. Em seguida, ela fez uma parte da escolaridade no território francês, depois voltou a morar com a avó em Macapá. Na época do vestibular, decidiu voltar à Guiana para estudar contabilidade e construir um futuro profissional. Ela conheceu Kereneur em junho de 2018, durante a Copa do Mundo da Rússia. Um encontro "desastroso", na opinião de amigos, e que rapidamente afastou Karina de seus familiares.

Desde o início de 2021, a França já registrou ao menos 49 casos de feminicídio, contra 90 crimes desse tipo em 2020 e 146 em 2019.

Com informações da AFP

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.