Em 10 anos França dobra despesas com o clima, mas segue longe da meta

De 2012 a 2021, as despesas com o clima, orçamentárias e fiscais, aumentaram de € 14 bilhões para € 30 bilhões por ano (ou seja, de 0,7% do PIB para 1,2% do PIB), de acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira (9). Na foto, manisfestantes em Bordeaux, em 9 de maio de 2021.
De 2012 a 2021, as despesas com o clima, orçamentárias e fiscais, aumentaram de € 14 bilhões para € 30 bilhões por ano (ou seja, de 0,7% do PIB para 1,2% do PIB), de acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira (9). Na foto, manisfestantes em Bordeaux, em 9 de maio de 2021. AFP - PHILIPPE LOPEZ

Os gastos do Estado favoráveis ao clima dobraram na França nos últimos dez anos, mas terão que ser aumentados ainda mais e melhor direcionados para responder à urgência da luta contra o aquecimento global, acredita o think tank I4CE, que questiona o futuro do plano de estímulo francês.

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De 2012 a 2021, essas despesas, orçamentárias e fiscais, aumentaram de € 14 bilhões para € 30 bilhões por ano (ou seja, de 0,7% do PIB para 1,2% do PIB), de acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira (9). Muitas são as medidas que não têm necessariamente o clima como objetivo principal, mas permitem reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

A década foi marcada por um aumento dos auxílios à renovação de edifícios a partir de 2014 e ao transporte de baixo carbono (aumento dos bônus de conversão em 2018, apesar da eficiência climática por vezes questionável). O terceiro marco é o suporte à energia eólica, energia solar, biometano e hidrogênio.

O plano de recuperação econômica vinculado à Covid-19 permitiu uma aceleração sem precedentes, com € 5,6 bilhões planejados para 2021.

Por outro lado, os gastos climáticos desfavoráveis, incluindo incentivos fiscais para combustíveis fósseis, mantiveram-se ou até aumentaram, de € 14 bilhões para € 16 bilhões anualmente.

Compromissos até 2030

Atualmente, "estamos chegando a um ponto de inflexão", sublinha Quentin Perrier, coautor do relatório: "Atingimos esse nível de gastos [pró-clima] graças ao plano de recuperação. Mas e depois?", agora que a União Europeia acaba de reforçar seus compromissos relativos ao clima até 2030.

Com falta de meios, sem resultados ambiciosos nem medidas de apoio para ampliar a discussão em torno da questão climática, como fazer para que todos aceitem a transição?, sublinha a I4CE, lembrando o episódio dos coletes amarelos. O relatório estima a necessidade de gastos adicionais de € 14 bilhões por ano entre 2024 e 2028.

“Também será necessário gastar melhor, melhorando, por exemplo, a qualidade das melhorias em moradias ou restringindo o bônus de conversão apenas a veículos de baixo carbono”, acrescenta.

E “gostaríamos de saber a estratégia de saída das brechas fiscais (favoráveis ​​aos fósseis), porque não vamos eliminá-las em seis meses”, destaca Benoît Leguet, diretor do centro de pesquisas.

O I4CE pede que "o Estado esclareça seu plano de financiamento da transição para os próximos dez anos e que os candidatos presidenciais elaborem desde já seus orçamentos climáticos".

(Com informações da AFP)

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