Homem que deu tapa na cara de Macron cumprirá quatro meses de prisão em regime fechado

Jornalistas aguardam sentença contra homem que deu um tapa na cara do presidente francês no Tribunal de Valence (sudeste).
Jornalistas aguardam sentença contra homem que deu um tapa na cara do presidente francês no Tribunal de Valence (sudeste). JEFF PACHOUD AFP

O francês Damien Tarel, que admitiu no tribunal ter batido no rosto do presidente francês Emmanuel Macron há dois dias, foi condenado nesta quinta-feira (10) a quatro meses de prisão em regime fechado. Ele compareceu a uma audiência de julgamento imediato no Tribunal de Valence (sudeste), ao término de 48 horas de custódia. "Esta sentença pune um desrespeito intolerável à instituição", disse o promotor Alex Perrin.

Publicidade

Este tapa, "absolutamente inadmissível", é um "ato de violência deliberada", afirmou o representante do Ministério Público de Valence, diante do homem de 28 anos. Perrin solicitou 18 meses de prisão contra o acusado, sendo 14 meses com o benefício de sursis e um mandado de detenção, preocupado com um possível risco de reincidência de Damien Tarel.

“Esta decisão será observada, examinada” e terá até “impacto na mídia internacional”, afirmou o promotor diante de dezenas de jornalistas que foram acompanhar o caso no tribunal.

O representante do MP afirma ter percebido "uma espécie de determinação fria" na postura do agressor, que não tinha passagem pela polícia, mas é membro de associações de praticantes de artes marciais, de admiradores de ritos da Idade Média e também fã de mangás, os quadrinhos de origem japonesa.

Durante a audiência no tribunal, Tarel explicou que ele e um amigo – que filmou a cena da bofetada no presidente francês – tinham planejado "fazer algo marcante, desafiá-lo nas questões políticas, levar um colete amarelo ou uma bandeira da França, mas mudamos de ideia".

Coletes amarelos e patriotas

Quanto ao seu gesto, Tarel admitiu que sua reação "foi um pouco impulsiva". "Mas minhas palavras tiveram um impacto para Macron, para todos os coletes amarelos e os patriotas", ressaltou. Em seguida, ele revelou seus verdadeiros sentimentos em relação ao presidente. “Quando vi o seu olhar simpático e mentiroso, que queria fazer de mim um eleitor, fiquei com nojo", afirmou. "O ato é lamentável, mas eu não tinha planos de cometê-lo antes", acrescentou. Para o francês, que afirmou ter convicções políticas "de direita ou de extrema direita", Macron é a encarnação do "declínio da França". 

“Este tapa não teria acontecido se Macron não tivesse ido na minha direção. [...] Caso contrário, eu o teria questionado sobre questões políticas. [...] Ele fez uma abordagem eleitoral, que eu não gostei. Eu acho que muitas pessoas sentem essa injustiça. Eu me senti atingido”, afirmou.

Antes de bater no chefe de Estado, Tarel gritou "Montjoie, Saint-Denis", um slogan de guerra de cavaleiros (da Idade Média) de conotação patriótica. Segundo o acusado, a expressão quer dizer "avante". "Duvido que se eu tivesse convocado Emmanuel Macron para um duelo de espadas ao amanhecer, ele teria respondido", argumentou.

Agressor recebeu outras penas

Encerrado o julgamento, Tarel foi transferido para uma penitenciária da região. Além da prisão, a Justiça suspendeu seus direitos civis por três anos, o que o impedirá de votar neste período. Ele também fica proibido de prestar concursos públicos para o resto da vida e não poderá deter armas de fogo nos próximos cinco anos. O juiz também ordenou que ele tenha acompanhamento psicológico. 

O segundo homem detido pela polícia junto com Tarel, e que filmou a bofetada, deverá comparecer ante um juiz no segundo semestre de 2022. Identificado como Arthur C., ele também tem 28 anos, é solteiro e está desempregado. Nas buscas realizadas em sua casa, policiais encontraram armas e acessórios antigos, bem como um exemplar do livro "Mein Kampf", autobiografia de Adolf Hitler, que ele afirma ter recebido de presente do amigo Tarel.

Macron relativiza "um ato imbecil"  

O tapa na cara infligido a Macron suscitou indignação entre os políticos franceses de todas as tendências, ainda que o presidente da República tenha mais uma vez relativizado o incidente nesta quinta-feira.

Pouco antes da condenação de Tarel, Macron denunciou em entrevista ao canal BFM TV um "ato imbecil", um "incidente isolado", como havia qualificado algumas horas depois do ataque na terça-feira (8). O chefe de Estado destacou, no entanto, que esse tipo de violência e o ódio propagado hoje nas redes sociais "não pode ser banalizado".

Com informações da AFP

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.