VivaTech, em Paris, marca volta de grandes feiras internacionais com público presencial

O engenheiro de robótica Paulo Cornec (esquerda) realiza uma demonstração com um robô multifunções da Boston Dynamics.
O engenheiro de robótica Paulo Cornec (esquerda) realiza uma demonstração com um robô multifunções da Boston Dynamics. © Lúcia Müzell/RFI

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 e o recuo dos números da doença na Europa, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, a VivaTech, abre as portas com a presença de público, em Paris. O evento ocorre sob rígidas normas sanitárias e poderá receber até 5 mil pessoas por dia, até sábado (19).

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Lúcia Müzell, da RFI

“Faz muito bem estar aqui, porque faz mais de um ano que trabalhamos com este robô e ainda não tínhamos podido exibi-lo ao público”, comemora o engenheiro de robótica Paulo Cornec, da Intuitive Robots, enquanto realizava uma demonstração com um robô multifunções da Boston Dynamics, na entrada do salão.

Em volta, uma dezena de pessoas acompanhava a exibição do instrumento, inspirado em um cachorro e idealizado para ir a lugares perigosos para os humanos, como zonas de minas terrestres ou centrais nucleares. “O mundo todo já viu os vídeos deste robô e hoje estamos orgulhosos de mostrá-lo ‘pessoalmente’ ao público, que como estamos vendo, se interessa bastante”, diz Cornec.

Viva Tech é a maior feira de tecnologia da Europa.
Viva Tech é a maior feira de tecnologia da Europa. © Lúcia Müzell/RFI

Para entrar no Parque das Exposições de Versalhes e conferir os lançamentos dos mais de 1,1 mil expositores de diversos países, os participantes devem apresentar um certificado de vacinação ou um teste negativo de Covid-19, realizado em menos de 48 horas. O uso de máscaras é obrigatório.   

Demonstrações de produtos e contratos

Uma feira como esta é não apenas uma vitrine para o mundo, como uma oportunidade de ouro para fazer negócios. Os expositores admitem: discutir contratos à distância é possível, mas efetivar uma venda é bem mais fácil ao vivo, em especial quando envolve um teste de produto.

“Há instantes, em menos de 5 minutos, chegamos a um projeto de € 150 mil. Não conseguimos vender isso virtualmente, porque o nosso produto depende do impacto das emoções, é uma experiência sensorial”, diz Christian Darvogne, sócio da KPMG, em seu stand de realidade virtual aplicada aos recursos humanos. Na sua área, sublinha, “o presencial é realmente indispensável". “Eu posso mostrar tudo para você em um slide – que você terá a impressão de já ter visto 50 mil vezes na vida. Mas se você experimentar, vai entender por que é interessante e será conquistada em 5 minutos”, garante.

Visitante faz experiência de realidade virtual, um setor beneficiado pelo distanciamento imposto pela Covid-19.
Visitante faz experiência de realidade virtual, um setor beneficiado pelo distanciamento imposto pela Covid-19. © Lúcia Müzell/ RFI

Covid acelerou migração para tecnologias, mas não dispensa presencial

Alexandre Rakoto, um dos fundadores da Fosfor, não escondia a felicidade por poder realizar as demonstrações de uma caixa holográfica em 3D fabricada pela marca, capaz de “holoportar” o usuário para qualquer lugar do planeta. “É simplesmente magnífico! Tem a emoção da paixão e estar aqui representa o renascimento da nossa atividade. Nós precisamos dos eventos para sobreviver: a gente só acredita naquilo que vê”, assinala.

Mas o empreendedor também reconhece que, no seu setor de realidade virtual, o distanciamento imposto pela pandemia de coronavírus acelerou a disseminação do conceito de "figital" – a presença física e digital das pessoas. “Há um ano e meio, ninguém conhecia direito o figital. A Covid-19 nos mostrou como o nosso produto se integra a esse modo de vida, que foi repensado pela pandemia”, comenta.

Alexandre Rakoto aparece em caixa holográfica em 3D, fabricada pela Fosfor.
Alexandre Rakoto aparece em caixa holográfica em 3D, fabricada pela Fosfor. © Lúcia Müzell/RFI

A VivaTech, a maior feira de tecnologia da Europa, teve de ser adiada no ano passado por causa da pandemia. Desta vez, a megaconferência acontece de forma híbrida, com conteúdos exclusivamente on-line e apresentações presenciais. Por conta das restrições de viagens pelo mundo, a expectativa é receber um público majoritariamente francês, ao contrário das edições anteriores.

Depois de ser aberto pessoalmente pelo presidente francês, Emmanuel Macron, na quarta-feira (16), o evento vai contar com a participação virtual de nomes de peso do setor, como Mark Zuckerberg, do Facebook, e Tim Cook, da Apple.

O programa da Viva Tech é 60% presencial e 40% online.
O programa da Viva Tech é 60% presencial e 40% online. © Lúcia Müzell/RFI

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