Covid-19: Representante da Autoridade da Saúde francesa defende vacina obrigatória

Vacinação em um centro em Nantes, no dia 3 de junho.
Vacinação em um centro em Nantes, no dia 3 de junho. REUTERS - STEPHANE MAHE

A vacinação contra a Covid-19 é uma arma de luta contra a propagação da variante Delta na França e sua obrigatoriedade deve ser analisada, disse nesta sexta-feira (2) a presidente da Alta Autoridade de Saúde (HAS), Dominique le Guludec. A cepa que apareceu na Índia e é cerca de 60% mais contagiosa do que Alpha, que surgiu no Reino Unido, já é responsável por mais de 20% dos novos diagnósticos na França.

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"Estamos diante de uma ameaça, que é a da variante Delta. A diferença maior, hoje, é que temos uma arma, e uma escolha: chegar ao outono em uma situação similar à do ano passado, com um novo pico epidêmico e restrições sanitárias, ou vacinar a população massivamente", explicou. "Temos vacinas que funcionam, e muito bem, contra essa variante", declarou.

A representante da Alta Autoridade de Saúde francesa disse que "é triste chegar ao ponto de obrigar as pessoas a se vacinarem, sempre achamos que fosse melhor convencê-las". 

De acordo com ela, a vacinação obrigatória para os maiores de 12 anos não pode ser descartada, em função da situação epidêmica. Ela também lembrou que os profissionais da saúde têm um papel "particular" na transmissão do vírus e devem se vacinar – a taxa de imunizados nesse grupo ainda não chegou a 80% e é abaixo de 50% nas casas medicalizadas de repouso para idosos, uma das categorias mais expostas a formas graves.

De acordo com o jornal francês Le Parisien, o governo planeja tornar obrigatória a vacinação para essa categoria da população e propor um projeto de lei em setembro, ou até mesmo antecipado, em julho. Para Dominique le Guludec, "é fora de questão estigmatizar os profissionais da saúde, que deram tudo de si nesta crise. Eles têm um papel importante, mas não são os únicos", insistiu. 

A representante da HAS afirmou que o órgão, caso seja consultado pela questão, poderá se pronunciar pela obrigatoriedade da vacinação para os adultos entre 24-59 anos. O presidente do Senado, Bernard Jomier, pediu nesta quinta-feira (1) ao governo francês que tomasse uma decisão até julho sobre a questão e consultará a Alta Autoridade da Saúde francesa.

Dominique le Guludec reiterou o risco real do retorno às restrições sanitárias no outono, que começa em setembro no hemisfério norte. "As regras serão para todos e todo mundo vai pagar pela não-vacinação de alguns."

Maioria da população é favorável

A maoria dos franceses é favorável à vacinação obrigatória, de acordo com uma pesquisa do instituto Odoxa, publicada nesta sexta-feira (2). Atualmente, 58% da população aprova a medida, contra 38% em novembro do ano passado. Os mais reticentes são os jovens de 18 a 34 anos (55%) e as categorias mais populares (52%). De acordo com os dados, 81% dos franceses de mais de 18 anos pretendem se vacinar ou já estão imunizados, o dobro em relação a dezembro do ano passado, antes do início da campanha. Apenas 19% recusa totalmente a vacina, mas esse número é suficiente para não bloquear a expansão da Delta.

Desde o dia 9 de junho, na segunda fase de flexibilização das restrições, a França exige um certificado de vacinação de duas doses para os participantes de eventos com mais de mil pessoas, como salas de espetáculos, competições esportivas, feiras ou salões. O documento não é necessário em restaurantes ou cinemas, por exemplo.

Certificado sanitário

Nesta quinta-feira, entrou em vigor  o certificado sanitário adotado pelos países da União Europeia (UE). O documento – um código QR que pode ser exibido em um smartphone ou em forma impressa – certifica que o portador está completamente vacinado com um dos imunizantes aprovados na UE, testou negativo em um exame recente de PCR ou já possui imunidade por ter superado a infecção.

 A intenção é que o certificado permita viajar pelos 27 países da UE e por quatro nações que se associaram à iniciativa (Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein, além dos principados de Andorra e Mônaco). Todos os países da UE já estão interconectados ao sistema, com exceção da Irlanda, que sofreu um ataque cibernético, mas que espera unir-se ao projeto em 19 de julho.

Os países do bloco serão obrigados a aceitar em seus territórios os viajantes completamente imunizados com as vacinas autorizadas na UE: Pfizer/BioNTech, Moderna, AstraZeneca (de duas doses) e Johnson & Johnson (dose única).

Com informações da AFP

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