França anuncia €100 milhões para promover no mundo direito das mulheres a aborto e contracepção

Mulheres usam o violeta para lutar pelos direitos femininos pelo mundo.
Mulheres usam o violeta para lutar pelos direitos femininos pelo mundo. Miguel ROJO / AFP

O governo francês de Emmanuel Macron comprometeu-se a investir, nos próximos cinco anos, o montante de 100 milhões de euros para o acesso das mulheres a direitos sexuais e reprodutivos, promovendo anticoncepcionais, aborto seguro e ações de educação sexual no mundo. Com isso, o país europeu pretende garantir “direitos fundamentais” em um momento de avanço das “forças retrógradas” em diversos países, afirmou o ministro francês das Relações Estrangeiras, Jean-Yves Le Drian.

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O anúncio foi realizado nesta sexta-feira (2), no último dia do Fórum Geração da Igualdade, em Paris. A universalização do direitos sexuais e reprodutivos das mulheres é, segundo disse Le Drian, essencial para a "alcançar a verdadeira igualdade de gênero".

"Muitas mulheres continuam privadas desses direitos, por mais fundamentais que sejam, em um mundo onde forças retrógradas determinadas e particularmente violentas desafiam sua legitimidade e impedem seu exercício", afirmou o ministro francês durante seu discurso.

Do total, 90 milhões de euros devem apoiar as ações do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), 5 milhões de euros serão dedicados ao direito ao aborto seguro, através do financiamento da Organização para o Diálogo sobre Aborto Seguro na África Ocidental e Central, e outros 5 milhões de euros serão investidos em um programa de acesso equitativo à contracepção.

O ministro francês de Relações Exteriores discursou durante uma conferência sobre "liberdade de escolha sobre o próprio corpo e saúde e direitos sexuais e reprodutivos", durante a qual países como Bélgica, Estados Unidos, Macedônia, Burkina Faso e Canadá também assumiram compromissos em favor dos direitos das mulheres.

O acesso aos direitos sexuais e reprodutivos tornou-se "ainda mais difícil em alguns países desde a pandemia" do Covid-19, enfatizou Asa Regner, Diretora Executiva Adjunta da ONU Mulheres, organizadora do Fórum.

Presente no encontro, a argentina Mabel Bianco, médica e presidente da Fundação para o Estudo e Investigação da Mulher (FEIM), lembrou que seu país "lutou durante 31 anos para ter acesso ao aborto".

A Oxfam, organização internacional de combate à pobreza, lamentou o valor do montante, considerando os anúncios financeiros "bem-vindos, mas muito insuficientes". Esse fórum "não ficará na história como a Conferência de Pequim de 1995", afirmou a diretora geral da Oxfam, Cécile Duflot. "Houve belas palavras mas, quanto às ações e compromissos concretos, a começar pelos da França, não estão à altura da atual crise dos direitos da mulher", completou.

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