Governo francês cada vez perto de impor obrigatoriedade da vacina anticovid a profissionais de saúde

Vacinação em um centro de Nantes, no oeste da França, em 3 de junho.
Vacinação em um centro de Nantes, no oeste da França, em 3 de junho. REUTERS - STEPHANE MAHE

Os jornais franceses desta segunda-feira (5) tratam em peso do grande debate que mobiliza a França neste momento: tornar ou não a vacinação contra a Covid-19 obrigatória aos profissionais de saúde. Com a previsão de uma quarta onda da doença em algumas semanas, o governo dá cada vez mais sinais que recorrerá a essa opção.

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"A pressão sobe no meio hospitalar" é manchete do jornal Le Parisien desta segunda-feira. Atualmente, na França, 64% dos profissionais da saúde que trabalham em hospitais estão vacinados, mas esse número cai para apenas 57% nas casas de repouso para idosos. Para o presidente do Conselho de Orientação da Estratégia Vacinal da França, Alain Fisher, não há dúvidas de que é preciso impor urgentemente essa medida. 

Por enquanto, o governo vem adotando a linha da persuasão, afirma Le Parisien. Para isso, vem oferecendo a possibilidade às pessoas de se vacinarem até mesmo em locais onde passam as férias de verão. Mas o primeiro-ministro francês, Jean Castex, começará a consultar nos próximos dias os chefes de grupos parlamentares e autoridades políticas locais sobre a possibilidade de tornar a imunização obrigatória a todos os profissionais de saúde. 

Em um manifesto publicado no domingo (4) no Journal du Dimanche, 96 médicos, entre eles chefes de serviços hospitalares que se tornaram figuras midiáticas durante a pandemia, fazem um apelo para que essa medida seja imposta antes do início do próximo semestre. O ministro francês da Saúde, Olivier Verán, lembrou ontem que a vacina não deve ser vista como uma penalidade, mas uma chance de vencer o vírus. Para ele, pedir para que os profissionais da saúde se imunizem é "fazê-los cumprir seu engajamento profissional". 

Consenso na França

"A obrigatoriedade da vacinação dos profissionais da saúde se aproxima", é manchete no jornal Le Figaro. Para o diário, um consenso está se instalando no país sobre a importância de imunizar todos aqueles que têm contato com doentes ou pessoas vulneráveis, especialmente devido ao aumento de casos da variante Delta na França. Segundo o jornal, enquanto o aumento das contaminações pela linhagem identificada pela primeira vez na Índia aumenta em cerca de 10% a cada semana, a proporção da primeira dose da vacina passou de 75% a 25% em apenas um mês. 

O jornal Les Echos destaca que a classe política também começa a se preocupar sobre a consequência que a resistência à vacina contra a Covid-19 pode ter para as crianças que, por enquanto, não tiveram a vacinação autorizada pela Agência de Saúde Europeia. Para o líder o partido centrista MoDem, François Bayrou, as faixas etárias mais jovem da população pode se tornar em breve um grupo de risco caso a imunização coletiva não seja atingida dentro de algumas semanas. 

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