Movimento dos "neo autonomistas" franceses foca no retorno à terra

O contato com a natureza propicia um aumento de energia e traz reconforto.
O contato com a natureza propicia um aumento de energia e traz reconforto. © Corinne Binesti/RFI

O movimento dos "neo autonomistas", franceses ecologistas que trocaram a cidade pelo campo em busca de uma vida integrada com a natureza, é tema de uma reportagem de capa do jornal Libération nesta segunda-feira (12). A maioria dos adeptos dessa nova tendência são jovens de 25 a 35 anos, muitos com ensino superior, que abriram mão de um emprego bem remunerado por estarem convencidos de que o crescimento econômico tem limites diante das mudanças climáticas.

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Muitos dos "neo autonomistas" franceses moram em cabanas minimalistas perto de florestas, em áreas montanhosas ou em vales verdejantes. Geralmente, eles equipam suas casas com painéis solares para garantir a autosuficiência energética, reaproveitam a água das chuvas para as necessidades do dia a dia e praticam a permacultura. Eles defendem uma sociedade de baixa tecnologia, mas utilizam as redes sociais e canais no Youtube para incitar outras pessoas a acreditarem que um outro modo de vida, mais respeitoso com a natureza, é possível. 

Segundo o Libération, a utopia dos "neo autonomistas" pode fazer alguns sorrirem e despertar um certo ceticismo, principalmente naqueles que veem um conservadorismo nesse retorno à terra. Mas vale a pena observar esses ecologistas não como pessoas esquisitas e, sim, indivíduos adeptos de um modo de vida sóbrio e independente.

Nos últimos meses, alguns "neo autonomistas" franceses se tornaram conhecidos do público depois de publicarem livros sobre essa aventura do retorno à terra. Uma das obras de maior sucesso foi escrita pelo fotógrafo naturalista Geoffrey Delorme, autor da obra "O homem cervo ("L'homme chevreuil", no título original). Ele passou sete anos vivendo ao lado de animais selvagens na floresta de Louviers, na Normandia. O título já vendeu 46 mil exemplares.

Guia de instalação na natureza

O professor de comunicação política Jonattan Attias é outra celebridade desse movimento, com seu livro "Desobediência fértil – por uma ofensiva ecológica" ("Désobeissance fertile – pour une écologie offensive"). Attias e sua mulher, Caroline Perez, criam duas filhas pequenas em total autonomia no interior da França. O casal acaba de adquirir um terreno na região do Périgord (sudoeste), onde pretendem plantar uma floresta e acolher outras famílias interessadas em formar uma comunidade autônoma. O livro de Attias já vendeu 10 mil exemplares e é uma espécie de guia prático de instalação na natureza. 

O desejo de retorno a uma vida mais orgânica, desconectada do consumo desenfreado, não é novidade na França e já teve um período áureo nos anos de 1970. Cinquenta anos mais tarde, essa tendência volta à atualidade e se manifesta de maneira mais radical. Segundo especialistas, a radicalidade observada em alguns ecologistas responde a uma situação radical: a crise climática, que se instala no ritmo dos relatórios científicos sobre o tema, escreve o Libération

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