Último desfile militar do mandato de Macron destaca tecnologia da Marinha e Aeronáutica

A esquadrilha da fumaça pintou as cores da bandeira francesa, azul, branco e vermelho, no céu carregado de nuvens nesta quarta-feira, em Paris.
A esquadrilha da fumaça pintou as cores da bandeira francesa, azul, branco e vermelho, no céu carregado de nuvens nesta quarta-feira, em Paris. AP - Lewis Joly

O desfile militar presidido por Emmanuel Macron neste feriado nacional de 14 de julho, em Paris, foi o último de seu atual mandato de cinco anos. A Marinha francesa participou da parada com tripulantes do submarino nuclear de ataque Émeraude, que retornou de uma missão de sete meses na estratégica região Indo-Pacífica, onde a China tem promovido operações militares controvertidas. Já a Força Aérea exibiu na avenida Champs Elysées seu novo Comando Espacial, criado em 2019.

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O espetáculo, de duas horas de duração, terminou com a Marselhesa, o hino nacional francês, cantado por um coro de 120 jovens "comprometidos" com o futuro do país: alunos do ensino médio militar, membros do serviço cívico e bombeiros voluntários.

Sob um céu cinzento, Macron desceu a avenida Champs Elysées em um "carro de comando militar" ao lado do chefe do Estado-Maior da Defesa, general François Lecointre, que será substituído dentro de alguns dias pelo atual chefe do Estado-Maior do Exército, o legionário Thierry Burkhard. Em seguida, o presidente acompanhou o desfile na tribuna de honra instalada na praça da Concórdia, ao lado da primeira-dama, Brigitte Macron, e membros do governo.

Um momento inusitado aconteceu quando um soldado se ajoelhou no pavimento de paralelepípedo da avenida e pediu a namorada em casamento. A imagem foi retuitada pelo presidente.

Outra curiosidade do desfile foi que dois youtubers franceses, McFly e Carlito, recebidos por Macron em maio no Palácio do Eliseu, depois de terem ganhado uma aposta, sobrevoaram Paris nos aviões da Patrulha da França.

Em 2020, em meio à explosão da pandemia Covid-19, o grande desfile de 14 de julho foi cancelado, algo inédito desde a Segunda Guerra Mundial, e foi substituído por uma cerimônia sem público ou blindados.

A edição de 2021 marcou o retorno de tropas, bandeiras e veículos à Champs Elysées: 5 mil militares e civis participaram da parada, além de 73 aviões, 24 helicópteros, 221 veículos e 200 cavalos da Guarda Republicana. O acesso ao espetáculo foi, no entanto, limitado, devido à crise de saúde: os 25 mil espectadores autorizados a acompanhar o desfile das arquibancadas tiveram de apresentar um passaporte sanitário e usar máscara. 

Esquadrilha tricolor 

Após a passagem da esquadrilha da França, que pintou o céu de azul, branco e vermelho, as cores da bandeira francesa, como manda a tradição, um contingente de forças especiais europeias participantes da força-tarefa Takuba lançou o desfile a pé. Esse grupo, criado para acompanhar a operação francesa Barkhane de combate a jihadistas islâmicos na região da África subsaarina do Sahel, conta com soldados de oito países – França, Bélgica, Estônia, Itália, Holanda, República Tcheca, Portugal, Suécia.

O trabalho desses militares foi homenageado no momento em que a França se prepara para reduzir seu efetivo militar no Mali, após oito anos de presença do país africano. A operação Barkhane será concluída "no primeiro trimestre de 2022", disse o presidente francês na terça-feira (13).

A Marinha participou da parada militar com tripulantes do submarino nuclear Émeraude, recém-chegados de uma missão no Mar de China, palco de disputa geopolítica internacional. A embarcação, de propulsão nuclear, é equipada com torpedos e mísseis. Entre outras tarefas, sua tripulação costuma mergulhar em operações para proteger o porta-aviões Charles de Gaulle, afastar submarinos inimigos e recolher dados de Inteligência. 

Outro destaque do desfile foi o Airbus militar A400 Atlas, um mega avião de última geração, capaz de transportar canhões, blindados e até helicópteros, desde que as hélices estejam desmontadas. A vantagem desse aparelho sobre o antigo modelo Transall é a capacidade de percorrer distâncias duas vezes mais longas, com uma carga quatro vezes mais pesada. Concebido pelo consórcio europeu e montado em Sevilha, na Espanha, o A400 já equipa as Forças Armadas da Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Espanha, França, entre outros países.    

Policiais de Nice

Policiais municipais, da cidade de Nice (sudeste), marcharam na avenida Champs Elysées exatamente cinco anos após o ataque do caminhão que deixou 86 mortos na Promenade des Anglais, em 14 de julho 2016. Essa foi a primeira vez que a polícia municipal participou do desfile.

O Serviço de Saúde das Forças Armadas, muito mobilizado desde o início da pandemia que matou mais de 111.000 pessoas na França, também esteve representado.

Fogos na Torre Eiffel

As festividades de 14 de julho continuam à noite no Campo de Marte. A Orquestra Sinfônicas Nacional fará um concerto acompanhada de dois conjuntos musicais, a partir de 21h15 no horário local. Em seguida, às 23h, haverá uma exibição de fogos de artifícios na Torre Eiffel, sob o tema da "Liberdade".

Cerca de 15 mil pessoas são esperadas no gramado em frente à torre. O acesso só será permitido mediante apresentação de passaporte sanitário e uso de máscara. 

Com informações da AFP

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