Retorno à vida normal pode acontecer só em 2023, prevê epidemiologista que aconselha governo francês

O presidente do conselho científico da França, Jean-François Delfraissy, alerta para a persistência da epidemia ainda por dois anos e pede respeito aos gestos de proteção.
O presidente do conselho científico da França, Jean-François Delfraissy, alerta para a persistência da epidemia ainda por dois anos e pede respeito aos gestos de proteção. JOEL SAGET / AFP

Jean-François Delfraissy, presidente do Conselho Científico que orienta o governo francês nesta pandemia de Covid-19, pensa que novas variantes vão surgir e que a situação sanitária continuará preocupante ainda por um bom tempo. Ele declarou nesta sexta-feira (23), em entrevista à imprensa francesa, que "não acredita em um retorno à vida normal em 2021”.

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O epidemiologista francês se mostra prudente. “O retorno à vida normal não vai acontecer agora, mas quem sabe em 2022, 2023. Não tenho certeza que isso seja possível no ano que vem”, disse Jean-François Delfraissy às emissoras BFM e RMC. “Uma nova variante vai surgir provavelmente durante o inverno (verão no Brasil)”, previu o especialista. Ele estima que a nova mutação poderá ser diferente da Delta, que tem 60% mais capacidade de transmissão da Covid-19.

O epidemiologista que aconselha o governo francês em sua estratégia contra a epidemia, detalhou o cenário previsto para a evolução da pandemia. Ele avalia que o vírus passará a ser muito mais benigno nos países ricos, onde 90% da população será vacinada. Em contrapartida, a situação se manterá grave no resto do mundo com pouco acesso à imunização.

“Este será o grande desafio dos próximos dois anos. Como estes dois mundos, o dos países vacinados e não vacinados, vão coexistir?", questiona Delfraissy. Neste momento, o presidente do conselho científico francês antecipa 50 mil novos casos de contaminação por dia na França no início de agosto.

Na quinta-feira (22), o país registrou 21.909 contaminações em 24 horas.

Respeitar gestos de prevenção

Nesse contexto de retorno generalizado das contaminações, o especialista faz campanha pelo respeito aos gestos de proteção, como uso de máscaras nos locais muito frequentados, o distanciamento social e o uso de álcool em gel. “Temos que voltar a adotar medidas de prevenção simples”, aconselhou.

Para ele, mesmo os vacinados devem continuar a usar máscaras em locais fechados ou quando estão no meio de uma multidão, como as praias neste momento de férias de verão na França. “Não é uma questão de lei, é uma questão de bom senso”, insiste.

A França entrou na quarta onda da epidemia de Covid e o epidemiologista considera, por exemplo, “perigoso” frequentar boates e discotecas” que foram reabertas e podem ser frequentadas com a apresentação do passaporte sanitário.

Com essas precauções simples, “será possível provavelmente diminuir 20% as hospitalizações”. Delfraissy elogiou o passaporte sanitário e a obrigação de vacinação para os profissionais de saúde, adotados nesta sexta-feira pela Assembleia francesa, mas adiantou que a eficiência desses instrumentos não será de 100% para frear a quarta onda da epidemia.

(Com AFP e Reuters)

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