Covid-19: Ilhas francesas vivem situação dramática com não vacinados, mas protestos continuam

Paciente com Covid-19 em hospital da ilha da Reunião, de 860.000 habitantes.
Paciente com Covid-19 em hospital da ilha da Reunião, de 860.000 habitantes. AFP - RICHARD BOUHET

Enquanto novas manifestações contra a exigência do passaporte sanitário estão programadas neste sábado (31) na França, duas ilhas francesas, a Martinica, no Caribe, e a ilha da Reunião, no oceano Índico, enfrentam um dramático aumento de contaminações e hospitalizações decorrentes da variante Delta da Covid-19. Um estudo nacional divulgado nesta sexta-feira (31) mostra que 85% das hospitalizações por Covid-19 são de pessoas não vacinadas.

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As ilhas Martinica e Reunião recebem um expressivo número de turistas durante a temporada do verão europeu e sofrem de uma baixa taxa de vacinação. Desde 13 de julho, o governo decretou estado de emergência sanitária nas duas localidades. Mas a variante Delta também se propaga rapidamente na ilhas de Guadelupe, Saint-Martin et Saint-Barthélémy. O governo dispõe de estoques de vacina nessas áreas, mas, por crenças diversas, os moradores alegam ter medo de se imunizar contra a Covid-19.

A Martinica entra nesta sexta-feira em um novo lockdown de três semanas para tentar conter a pandemia. Enquanto a taxa de incidência da Covid-19 na França metropolitana é de 191 casos por 100.000 habitantes, ela atingiu 995 casos por 100.000 nessa ilha das Antilhas Francesas. 

Apenas 21% dos martiniquenses receberam uma dose da vacina, bem abaixo da média nacional, que é de 61,4%. Os leitos de UTI do hospital público de Forte da França (Fort-de-France), capital da ilha, estão saturados desde o último fim de semana, levando o governo francês a iniciar, a partir deste sábado (31), as transferências de pacientes entubados para Paris por via aérea. 

O primeiro-ministro Jean Castex atribuiu essa situação dramática à vacinação insuficiente. Castex usou a Martinica como exemplo para mostrar a diferença de impacto da nova onda da pandemia entre pessoas imunizadas e aquelas que não estão protegidas contra o coronavírus. 

“O sistema de saúde fica extremamente impactado. Há realmente uma diferença clara, visível, a Martinica é a prova, o exemplo a ser comparado entre vacinados e não vacinados", argumentou Castex.

Cerca de 40 a 50 especialistas das Forças Armadas, entre eles intensivistas, médicos e enfermeiros, estão sendo enviados para Forte da França, para dar apoio às equipes médicas locais nas próximas semanas. 

No caso da ilha da Reunião, as autoridades decretaram um confinamento parcial durante o dia, a partir deste fim de semana, acompanhado de um toque de recolher noturno rígido de 18h às 5h no horário local. A taxa de incidência de casos positivos atingiu 350 por 100.000 habitantes e a taxa de positividade dos testes chega a 10%. 

Novas manifestações contra restrições

Em meio a essa situação crítica, manifestantes antivacinas e/ou contrários à exigência do passaporte sanitário programaram novos protestos neste sábado (31) em todo o país, pelo terceiro fim de semana consecutivo. Estão programadas cerca de 150 protestos, em Paris, Bordeaux, Marseille, Lille ou Metz. Desde o início da mobilização, o número de participantes vem crescendo, tendo passado de 150.000 a 161.000 da primeira para a segunda semana. 

Os protestos acontecem apesar de 62% dos franceses se declararem favoráveis à apresentação do passaporte sanitário em locais que recebem público e 69% defenderem a vacinação obrigatória para os profissionais dos hospitais.

85% de hospitalizações por Covid-19 são de pessoas não vacinadas 

Um estudo publicado nesta sexta-feira aponta que cerca de 85% das pessoas hospitalizadas com a Covid-19, inclusive em terapia intensiva, são pacientes não vacinados. Dos casos que vão a óbito pela forma grave do coronavírus, 78% não tinham sido imunizados. 

Divulgado pela primeira vez, este estudo realizado pelo Drees, o serviço de estatística dos ministérios sociais, combina dados sobre os resultados dos testes de Covid-19, com percentuais de vacinação e hospitalizações convencionais ou em cuidados intensivos (reanimação, cuidados intensivos e cuidados continuados) para esta doença.

De acordo com os primeiros resultados, no período de 31 de maio a 11 de julho, as pessoas não vacinadas foram responsáveis ​​por 84% das chamadas internações hospitalares convencionais e 85% das internações em cuidados críticos. Pacientes totalmente vacinados representaram 7% das internações, proporção cinco vezes inferior à cobertura vacinal da população à época.

No momento do estudo, aproximadamente 35% da população tinha um esquema de vacinação completo e 45% não havia recebido nenhuma dose da vacina.

“O recente aumento nas internações hospitalares é causado por pessoas não vacinadas”, observa o Drees. A partir de agosto, esse estudo será atualizado semanalmente e divulgado no site de dados abertos do Drees.

(Com informações da AFP)

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