França: Macron abandona o terno e responde questões sobre Covid-19 via Instagram e TikTok

Emmanuel Macron em vídeo postado via Instagram TikTok, no qual defende a vacinação contra a Covid-19.
Emmanuel Macron em vídeo postado via Instagram TikTok, no qual defende a vacinação contra a Covid-19. © Captura de tela

O presidente francês Emmanuel Macron recorreu ao Tik Tok e Instagram para tentar informar a população sobre as vacinas contra a Covid-19. Em plenas férias, o chefe de Estado adotou um tom descontraído, respondendo diretamente às questões dos internautas que ainda resistem à imunização e contestam a adoção do passaporte sanitário.

Publicidade

Em uma campanha de comunicação visando claramente aos jovens, particularmente atingidos pela quarta onda da pandemia de Covid-19, Macron trocou seu costumeiro terno escuro e gravata por uma camiseta preta de manga curta, com a qual aparece nos três primeiros vídeos curtos, gravados na residência de verão da presidência, no sul da França. O chefe de Estado insiste que as vacinas são a "única arma" contra uma quarta onda de infecções.

"Sei que muitos de vocês ainda têm dúvidas, estão com medo, muitos ouvem informações falsas, boatos, às vezes muitas besteiras. Então decidi responder suas perguntas diretamente", disse ele no vídeo. 

Logo na primeira questão o presidente deu o tom da "conversa". Um internauta afirma que, por ser jovem e em boas condições físicas, não precisa ser vacinado, pois não vai desenvolver uma forma grave da Covid-19. “A minha resposta é simples. Há jovens saudáveis que deram entrada nos serviços de emergência e foram hospitalizados. Mas há também o chamado Covid longo, que pode afetar muitos jovens. Você pode até não ser hospitalizado, mas vai se sentir cansado e com dificuldades para respirar durante meses. Isso acontece e eu mesmo já vi”, disse Macron.

“Mas caso não o faça por você, faça por seus próximos. Pois se vacinar significa reduzir os riscos de contaminar outras pessoas, em particular seus familiares. [Se vacinar] é cuidar dos demais. De seus pais, seus avós, seus amigos. Faça isso também pelos outros”.

No vídeo seguinte o presidente foi questionado sobre o fato de que, mesmo imunizado, ainda é possível ser contaminado. “O risco zero não existe. Mas a vacina salva vidas, enquanto o vírus mata”, resumiu Macron, lembrando que, atualmente na França, 85% das pessoas hospitalizadas não foram vacinadas.

Em um dos comentários nesse segundo vídeo a cantora brasileira Gretchen defendeu a posição de Macron e a vacinação obrigatória. "A vacina é a vida. Se as pessoas se vacinarem, todos nós ficaremos livres da pandemia", escreveu, em francês. 

A cantora brasileira Gretchen apoiou a iniciativa de Macron em um comentário no vídeo postado pelo presidente francês.
A cantora brasileira Gretchen apoiou a iniciativa de Macron em um comentário no vídeo postado pelo presidente francês. © Captura de teca

Protestos nas ruas

O chefe de Estado lançou a campanha de vídeos logo após um terceiro dia de protestos contra a adoção na França do passaporte sanitário, documento que prova que seu portador foi vacinado ou que fez um teste de Covid-19 com resultado negativo. O dispositivo se tornou obrigatório para uma série de atividades no país, suscitando passeatas e até atos de vandalismo daqueles que consideram que a medida restringe as liberdades individuais. Apenas no sábado (31), cerca de 200 mil pessoas se manifestaram nas ruas.

A adoção do passe sanitário, exigido para entrar em museus, cinemas e locais esportivos, visa coibir uma quarta onda de infecções, mas seus opositores veem o sistema como uma forma de pressão para que todos se vacinem, sem necessariamente dizer que a imunização é obrigatória. A regra será estendida a bares, restaurantes, trens de longa distância e shopping centers no dia 9 de agosto.

Até o momento, 42,6 milhões de pessoas na França receberam pelo menos uma dose da vacina, o que representa 63,2% da população. Destes, 35,7 milhões estão totalmente vacinados, o que corresponde a 52,6% dos franceses. Quase 112.000 pessoas morreram na França desde o início da pandemia.

(Com informações da AFP)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.