Ambientalistas colocam Macron contra a parede em Congresso da Natureza

A cidade de Marseille, no sul da França, sedia a partir de hoje e até 11 de setembro o congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza.
A cidade de Marseille, no sul da França, sedia a partir de hoje e até 11 de setembro o congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza. AFP - LUDOVIC MARIN

Os dias de promessas acabaram: diante da emergência climática, ONGs ambientais exigiram ações e financiamento do presidente francês Emmanuel Macron, durante a abertura do congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) nesta sexta-feira (3) em Marselha. As entidades julgam o balanço do governo Macron bastante fraco em relação à proteção ambiental.

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O Congresso Mundial da IUCN, que reúne órgãos governamentais, ONGs, cientistas, representantes de povos indígenas, é um evento de destaque para a proteção da natureza no planeta. A França, país anfitrião, poderia desempenhar um papel especial nisso.

O presidente “Emmanuel Macron queria se posicionar fortemente nas questões ambientais e em particular no clima”, criando “grandes expectativas”, recorda Jean-François Julliard, do Greenpeace França.

Quatro anos depois, "o mandato do presidente Macron não deixa pegadas ecológicas", afirma Allain Bougrain-Dubourg, presidente da Liga para a Proteção das Aves (LPO).

 “Algumas medidas não foram desprezíveis”, como o abandono do projeto do aeroporto de Notre-Dame-des-Landes ou o da Europacity, “mas a biodiversidade continua a ser o primo pobre em questões ambientais”, disse Dubourg à AFP.

Associações ambientalistas afirmam que esta semana foram recebidas pelo presidente da República pela primeira vez em quatro anos.

“A batalha pela biodiversidade é tão crucial quanto a batalha pelas mudanças climáticas”, disse Nicolas Hulot, ex-ministro da Transição Ecológica no início do governo de Macron. “Devemos elevar nosso nível de ambição”, insistiu o presidente honorário de sua fundação FNH. Ele deu como exemplo a necessidade de reduzir o uso de agrotóxicos no momento em que o governo reintroduz os neonicotinóides, que matam as abelhas.

Presidência da UE

O governo reivindica a seu favor uma estratégia nacional para a biodiversidade, que visa reverter o declínio de espécies em 10 anos, outra sobre áreas protegidas e também uma estratégia de combate ao desmatamento causado no exterior pelo consumo de produtos na França, como soja ou óleo de palma.

Enquanto uma cúpula sobre o oceano já está planejada pela ONU em 2022, Emmanuel Macron anunciou, poucas horas antes da abertura do congresso em Marselha, a realização de uma cúpula "Um oceano" no final de 2021 ou em 2022.

Quando saiu o relatório dos especialistas em biodiversidade da ONU, IPBES, sobre o estado de natureza alarmante e a criação do Escritório Francês para a Biodiversidade (OFB), “o presidente fez discursos que nenhum presidente havia feito antes dele sobre os impactos do nosso modelo de desenvolvimento para biodiversidade”, observa Jean-David Abel, da France Nature Environnement (FNE).

Para as ONGs, como o presidente chega ao fim do mandato, a conta não fecha. “Não estamos à espera de intenções, grandes objetivos, mas de meios e de um calendário”, explica Jean-David Abel, citando como exemplo a falta de recursos humanos e materiais para efetivamente proteger as áreas naturais.

A Diretora-Geral do WWF França, Véronique Andrieux, pede "que não haja mais um euro de dinheiro público direcionado para atividades prejudiciais", como pode ser o caso da agricultura intensiva, da pesca ou de mudanças no território que leva à artificialização dos solos.

Ela também espera por "compromissos em termos de zonas de proteção fortes no Mediterrâneo", um mar particularmente vítima do excesso de pesca e da poluição.

Brasil refletido na França

“A França foi pioneira em adotar uma estratégia nacional contra a importação de produtos de área desmatada, mas não é implementada e o desmatamento no Brasil continua”, critica Jean-François Julliard.

A presidência francesa da União Europeia no início de 2022 poderia, no entanto, permitir avançar em questões como a das "cláusulas espelho", que obrigam os produtos agrícolas importados a cumprir as normas europeias para evitar qualquer distorção da concorrência, espera a FNH.

(Com informações da AFP)

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