Profissionais da saúde da França protestam contra obrigação da vacinação anticovid

Profissionais de saúde de Lyon durante protesto contra a obrigação da vacinação anticovid, nesta terça-feira (14), diante da sede da Agência Regional de Saúde.
Profissionais de saúde de Lyon durante protesto contra a obrigação da vacinação anticovid, nesta terça-feira (14), diante da sede da Agência Regional de Saúde. AFP - JEFF PACHOUD

A poucas horas da entrada em vigor da obrigação da vacinação contra a Covid-19 de profissionais de saúde, milhares de pessoas saíram às ruas da França nesta terça-feira (14) para protestar. Empregados de hospitais e casas de repouso para idosos, além de cuidadores e bombeiros, correm o risco de serem suspensos caso se neguem a cumprir a decisão do governo.

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Em Paris, centenas de pessoas se reuniram diante do Ministério da Saúde. Em outras cidades francesas, como Toulouse (sudoeste), Lyon (centro-leste), Grenoble (sudeste), Rennes (noroeste), manifestantes protestaram em frente a órgãos regionais de saúde e hospitais.

A partir de quarta-feira (15), todos os profissionais de saúde, cuidadores e bombeiros precisarão cumprir a determinação de receber ao menos uma dose da vacina anticovid. Eles correm o risco de não poderem exercer suas funções e ter seus salários suspensos caso se negarem a se imunizar contra a doença.

Na capital, Mireille Stivala, secretária-geral do escritório da Saúde da Confederação Geral do Trabalho (CGT), afirmou que os manifestantes "expressam uma revolta intensa contra essa decisão autoritária", que, segundo ela, "vai resultar em tensões e caos". 

"Não podemos nos permitir dispensar os profissionais de saúde", declarou. Para Mireille, a imposição da vacinação aos trabalhadores do setor terá consequências, como bloqueio de leitos e a impossibilidade de tratar todos os doentes.

Já a psicóloga Delphine Bonsergent, que protestou em Rennes, afirma "não ser contra a vacinação, mas contra a imposição e as punições". "Que estejamos vacinados ou não, somos contra essa obrigação", afirma Valérie, cuidadora que trabalha para o sistema público dos hospitais de Paris (AP-HP). Segundo ela, o setor já sofre com um efetivo inferior ao normal, dos quais vários chegaram a trabalhar contaminados pela Covid-19, no início da pandemia, em 2020.

Outros manifestantes participaram dos atos, mas confessaram ter cedido à obrigação, com medo de perder seus empregos. É o caso da enfermeira Cornelia, de 47 anos, que se vacinou ao voltar das férias de verão. "Não posso ficar sem meu salário", justificou.

Para o enfermeiro Michel Soulié, de 51 anos, que participou do ato em Grenoble, obrigar os profissionais da saúde a se vacinarem demonstra a falta de consideração do governo pelos empregados do setor. "Durante toda essa pandemia nos foi explicado que mesmo diante do risco de morte, deveríamos trabalhar por causa da falta de profissionais. Mas hoje querem nos mandar embora? Isso é incompreensível!", diz.

12% dos profissionais de saúde não se vacinaram

O movimento dos profissionais de saúde se junta à revolta de parte dos franceses contra o passaporte sanitário, que levou dezenas de milhares de pessoas às ruas nas últimas semanas. No entanto, segundo a agência Saúde Pública da França, os profissionais do setor que ainda não se imunizaram são minoria, cerca de 12%.

Desde o início da campanha de vacinação na França, quase 50 milhões de pessoas receberam ao menos uma dose da vacina anticovid (73,8% da população total). Os completamente imunizados contabilizam quase 47 milhões (69,6% da população total).

A quantidade de pessoas doentes continua a diminuir, chegando no nível mais baixo de internações (9.739) desde o último 15 de agosto. O mesmo fenômeno é observado nas UTIs do país, que contam atualmente com dois mil doentes, contra 2.259 na última terça-feira (7). 

Nas últimas 24 horas, 96 pessoas morreram de Covid-19 na França e 10.327 novos casos foram registrados. Desde o início da pandemia, o país contabiliza 115.752 óbitos. 

(Com informações da AFP)

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