Proteção da vacina Janssen seria insuficiente contra Covid-19, aponta estudo francês

Segundo um estudo efetuado pelos centros de farmacovigilância de Lyon e Grenoble, na França, a dose única da vacina Janssen garante uma "proteção insuficiente" contra a variante Delta da Covid-19.
Segundo um estudo efetuado pelos centros de farmacovigilância de Lyon e Grenoble, na França, a dose única da vacina Janssen garante uma "proteção insuficiente" contra a variante Delta da Covid-19. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

Depois da desconfiança com a AstraZeneca, que provoca casos raros de embolia pulmonar, chegou a vez da Janssen ser evitada pela população francesa? A pergunta passa a ser feita depois de um estudo francês revelar que a proteção da vacina anticovid de dose única seria insuficiente.

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A pesquisa foi realizada pelos centros de farmacovigilância de Lyon e Grenoble e publicada pela Agência Nacional de Segurança de Medicamentos nesta terça-feira (14). O relatório sinaliza um "número importante de casos de falhas vacinais" do imunizante da Jonhson&Jonhson, principalmente contra a variante Delta. Com os dados disponíveis até agora, não é possível confirmar a eficácia desta vacina a longo prazo.

De 9 de julho a 26 de agosto, os dois centros de farmacovigilância franceses foram encarregados de acompanhar os efeitos colaterais da Janssen. Os dados coletados detalham o papel que o imunizante teve, ou não, no aparecimento de diversos sintomas, mais ou menos graves, como tromboses, paralisia facial, AVC e convulsões, entre outros.

Sobre esse ponto, o balanço é positivo. "Esses efeitos colaterais são isolados, não indicam um papel determinante da vacina anticovid e, até agora, não há nenhuma relação direta entre a Janssen e casos de óbitos registrados no país", aponta o documento.

Alto número de vacinados com a Janssen nas UTIs

Mas diante do elevado número de pessoas que tomaram a vacina de dose única e foram posteriormente internadas em UTIs com a Covid-19, a agência francesa assinala um risco potencial de falhas no imunizante. O relatório ressalta que esses pacientes sofrem ou sofriam de comorbidades graves. Eles foram hospitalizados mais de 21 dias depois de terem sido vacinados. Novas investigações estão em curso.

A grande proporção de pessoas que receberam a Janssen e, mesmo assim, contraíram o coronavírus e necessitaram de cuidados intensivos é alarmante. Em Marselha, entre os sete pacientes completamente vacinados que foram admitidos no serviço de reanimação no período de realização da pesquisa, quatro receberam o imunizante da Jonhson&Jonhson.  Em Tours, essa proporção foi de três pacientes em seis internados.

Até o final de agosto, um milhão de doses da vacina Janssen tinham sido administrados na França. Entre as pessoas que receberam a injeção única, 32 casos de Covid-19 foram registrados, o que representa uma taxa de 3,78 em 100.000. Dentre esses contaminados, 29 desenvolveram casos graves da doença, sendo que quatro morreram. As vítimas tinham de 73 a 87 anos de idade.

Variante Delta

As autoridades de saúde desconhecem a variante responsável pelas contaminações em cerca de metade dos casos, mas nos 17 casos conhecidos, todos foram provocados pela variante Delta.

A Janssen oferece a vantagem de ter uma única dose, mas, desde o final de agosto, a Alta Autoridade de Saúde da França tem recomendado que as pessoas vacinadas com o produto da Jonhson&Jonhson recebam uma segunda dose de um imunizante à base de RNA mensageiro, ou seja, da Pfizer ou Moderna. A recomendação foi acatada pelo Ministério da Saúde francês.

O infectologista Benjamin Davido, ouvido pelo jornal Le Parisien, considera que o caso da Janssen não tem nada de excepcional. "Não existe nenhuma vacina ou tratamento milagroso que traga uma imunidade a longo prazo diante de resfriados ou de contaminações pela família de coronavírus", lembra o especialista.

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