Emmanuel Macron é o grande ausente da Assembleia Geral da ONU

O presidente francês, Emmanuel Macro, durante discurso no dia 20 de setembro de 2021, no palácio do Eliseu, em Paris.
O presidente francês, Emmanuel Macro, durante discurso no dia 20 de setembro de 2021, no palácio do Eliseu, em Paris. Gonzalo Fuentes Pool/AFP

O presidente francês havia indicado que enviaria um discurso gravado, mas decidiu enviar seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, a Nova York, provocando surpresa geral. A última vez que um chefe de Estado da França não participou da abertura da Assembleia Geral da ONU foi em 2005, há 17 anos, quando o então presidente, Jacques Chirac, estava se recuperando de um AVC. Na época, o primeiro-ministro Dominique de Villepin representou a França.

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Da correspondente da RFI em Nova York, Carrie Nooten

O Quai d'Orsay (ministério das Relações Exteriores) e o Élysée (sede da presidência) garantem que a ausência de Emmanuel Macron não é de forma alguma uma consequência da crise dos submarinos. A tensão começou na semana passada depois que a Austrália cancelou o chamado “contrato do século”, que previa a compra de submarinos convencionais franceses. Os australianos optaram por modelos americanos com propulsão nuclear e a participação em uma tríplice aliança que inclui o Reino Unido, com o objetivo de fazer frente à China na região dos oceanos Índico e Pacífico.

A explicação oficial é de que a agenda do presidente francês está sobrecarregada de atividades e eventos.

Em Nova York, muitos se perguntam onde está Emmanuel Macron, campeão do multilateralismo, em meio a uma crise geopolítica em plena evolução. Além disso, os primeiros-ministros britânico, Boris Johnson, e australiano, Scott Morrisson, vêm obtendo bastante exposição mediática em Nova York.  

Desperdiçando atenção mundial

Alguns críticos consideram uma pena deixar os holofotes para os Estados Unidos e para a China. Daqui a pouco, todas as atenções se voltarão para os discursos de Joe Biden e Xi Jinping. Emmanuel Macron poderia ter aproveitado a chance de se mostrar como uma terceira via. Ao invés de a França ter uma vitrine privilegiada para o mundo nos debates desta terça-feira, o país será representada pelo ministro Le Drian, que terá a palavra durante as discussões no próximo final de semana.

O presidente do Conselho da União Europeia, Charles Michel, acusou nesta segunda-feira (20) os Estados Unidos de falta de lealdade."Os princípios mais elementares para os aliados são transparência e confiança e estes  princípios andam juntos. Estamos vendo uma clara falta de transparência e lealdade", disse Michel à imprensa em Nova York.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse que o governo americano e o francês estão em contato para organizar um conversa, por telefone, entre os presidentes Joe Biden e Emmannuel Macron. Segundo Psaki, Biden, que pediu o diálogo, aproveitará para lembrar  "o compromisso com um dos nossos parceiros mais antigos e próximos sobre uma série de desafios que são enfrentados pela comunidade internacional." 

(com informações da AFP)

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