Acesso a tratamentos de reprodução para todos gera corrida a laboratórios por gametas e ovócitos

O jornal Libération traz na capa uma reportagem sobre o aumento das buscas por espermatozoides ou ovócitos desde que o tratamento para reprodução foi legalizado para mulheres solteiras e lésbicas na França.
O jornal Libération traz na capa uma reportagem sobre o aumento das buscas por espermatozoides ou ovócitos desde que o tratamento para reprodução foi legalizado para mulheres solteiras e lésbicas na França. © Fotomontagem / Adriana de Freitas

Desde setembro, todas as mulheres solteiras ou em casais homossexuais passaram a ter direito ao tratamento gratuito de reprodução assistida na França. Isso provocou uma corrida aos laboratórios especializados, como constata uma reportagem do jornal Libération

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“A demanda cresce a cada dia e os centros atendem recebem três a quatro vezes mais o volume de casos anuais", afirma o diário francês.

Uma especialista em reprodução de Rouen, no norte da França, recebeu 130 pedidos de doação de espermatozoides por parte de casais de mulheres ou solteiras nos últimos meses, contra 30 à 40 anualmente. Diante dessa corrida, foi inaugurada uma campanha nacional de pedidos de doações no último mês pela Agência de Biomedicina da França.

Em 2019, 836 mulheres doaram ovócitos e 317 homens, espermatozoides, resultando em 1.396 crianças nascidas por PMA, sigla em francês para a reprodução assistida.

Ao mesmo tempo em que a campanha pede doações, ela também quer conscientizar os participantes sobre as evoluções a respeito do direito de acesso às origens. A partir do dia 1° de setembro de 2022, as crianças nascidas por esse processo poderão ter direito a informações sobre o doador ou a doadora assim que atingirem a maioridade.

Se em setembro o governo estimava a espera de seis meses para uma doação de ovócitos e espermatozoides, o cálculo é agora na faixa de doze meses.

Processo e doadores

Libération também explica como se tornar doador. Os homens de 18 a 45 anos podem oferecer seus espermatozoides. O produto recolhido após a masturbação passa por vários testes para determinar sua qualidade.

A mulher doadora, com o limite de idade de 37 anos, passa por um processo mais complexo. Antes da doação, é preciso realizar um tratamento de estimulação, com injeções cotidianas de hormônios, testes de sangue ou ecografias. A punção é feita no hospital, sob anestesia geral ou local.

Libération entrevistou também quatro homens que falam de suas razões para serem doadores. "Por solidariedade", diz Valentin, de 25 anos. Alan, de 49, resolveu participar porque viveu na pele a odisseia de esperar, junto com a mulher, a doação de ovócitos. Já Arnaud, de 38 anos, é pragmático: “Eu doo meu sangue, por que não meus espermatozoides?”. Rafael, de 42 anos, diz que, para ele, é um “presente poder oferecer a vida”.

A lei permitindo a PMA para todas as mulheres levou dois anos para ser aprovada, com muitos debates, polêmicas e manifestações

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