Medidas para conter Covid-19 provocam crise social no território francês da Guadalupe

Nas Antilhas francesas, a mobilização contra o passe sanitário e a vacinação obrigatória do pessoal de saúde, apoiada por um coletivo de sindicatos e por organizações da sociedade civil, tornou-se violenta em Guadalupe.
Nas Antilhas francesas, a mobilização contra o passe sanitário e a vacinação obrigatória do pessoal de saúde, apoiada por um coletivo de sindicatos e por organizações da sociedade civil, tornou-se violenta em Guadalupe. REUTERS - RICARDO ARDUENGO

A imprensa francesa desta segunda-feira (22) destaca a crise social desencadeada no território francês da Guadalupe, no Caribe, onde a obrigação de vacinação para profissionais de saúde degenerou em grandes protestos. Reforços policiais foram enviados, após um fim de semana de violência, bloqueios de estradas, incêndios e saques.

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Desde o dia 15 de novembro, "as manifestações paralisam o arquipélago", escreve o jornal Libération, que descreve cenas de "lojas saqueadas, confrontos e carros queimados, apesar do toque de recolher em vigor das 18 horas às 5 horas", desde a sexta-feira (19) e que vai até a terça-feira (23).

De acordo com o diário, nem o envio de um reforço de 250 policiais foi capaz de evitar a violência noturna. "Entre sábado e domingo, os bombeiros fizeram mais de 50 intervenções e 37 pessoas foram detidas", destaca o texto, explicando que "a origem do descontentamento é a oposição de uma parte da população ao passaporte sanitário e à obrigatoriedade vacinal imposta a certas profissões", como enfermeiros, professores, profissionais da hotelaria e restaurantes. 

Apesar da onda de contaminações, a campanha de imunização "patina" neste departamento francês das Antilhas, onde "apenas 43% da população maior de 12 anos estão vacinados". 

O jornal Le Monde destaca o ambiente de tensão no arquipélago, onde as restrições impostas para conter a epidemia "despertaram a cólera dos sindicatos, que decretaram greve geral".

De acordo com o representante do governo francês em Guadalupe, Alexandre Rochatte, citado pela reportagem, "nenhuma reivindicação pode justificar a destruição provocada pelos manifestantes". 

Taxa de mortalidade sobe

A taxa de mortalidade no arquipélago, segundo o Le Monde, "aumentou 65%, entre 1° de junho e 8 de novembro, em relação ao mesmo período de 2019" e, mesmo assim, a procura pela vacina é baixa.

O jornal francês La Croix destaca uma reunião de crise marcada pelo ministro do Interior, Gerald Darmanin, no fim da tarde desta segunda-feira para discutir uma solução para a violência em Guadalupe.

De acordo com a reportagem, "centros de diálise alertam sobre o perigo de morte para cerca de 800 pacientes, cujos bloqueios de vias em Guadalupe podem impedir o acesso a cuidados médicos".

Segundo a direção do maior hospital do arquipélago, pouco mais de 87% dos profissionais de saúde têm o passaporte sanitário, mas alguns funcionários estão suspensos por passe inválido, ao qual se acrescenta “uma onda de licenças médicas”. 

A responsável pela educação no departamento de Guadalupe, Christine Goff-Ziegler, condenou "todos os atos de vandalismo e obstáculos à circulação" ou "ao acesso a estabelecimentos", dos quais os alunos "são as primeiras vítimas".

Nesta segunda-feira, o presidente francês Emmanuel Macron exprimiu a "solidariedade da Nação face a uma situação explosiva". Ele ainda pediu que a população de Guadalupe "não acredite em mentiras e manipulação.  

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