Ciência/Saúde

Molécula comparada à morfina tem efeitos antidepressivos

IITA Image Library/Flickr

A Opiorfina, um analgésico natural tão poderoso quanto a morfina mas com menos efeitos colaterais, também tem propriedades antidepressivas, anunciaram pesquisadores franceses. Catherine Rougeot e sua equipe do Intituto Pasteur, que descobriram a  Opiorfina no homem em 2006, realizaram pesquisas em ratos e ficou comprovado que a molécula, além de aliviar a dor também tem efeitos antidepressivos.  

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Os resultados das pesquisas foram publicados em dois artigos nos meses de junho e agosto no Journal of Physiology and Pharmacology. A molécula, segundo os cientistas, tão potente quanto à morfina mas com efeitos colaterais reduzidos tem também a mesma eficiência da imipramina, um antidepressivo já presente no mercado, mas com a diferença que não apresenta seus efeitos colaterais.

Como a dor e a depressão são normalmente vinculados, a descoberta dos cientistas franceses cria a expectativa para a fabricação de um remédio que possa combater os dois problemas de uma só vez.

Os pesquisadores do Instituto Pasteur, em colaboração com uma equipe do Pólo Científico de Nancy-Brabois, demonstraram com testes “in vitro”, que a Opiorfina, aplicada nas mesmas doses que a morfina, tem o mesmo poder de aliviar dores com as vantagens de efeitos colaterais minimizados. Segundo os cientistas, ela é menos viciante - já que não é preciso aumentar as doses para obter um efeito analgésico- , como também apresenta menos problemas relacionados à prisão de ventre e menor dependência psicológica.

Remédio

No caso das propriedades antidepressivas, os pequisadores se convenceram de que nos animais a Opiorfina é tão eficaz quando a imipramina, um princípio ativo usado para tratamento da depressão. A molécula não provocaria ainda nenhuma reação colateral de hiper-excitação, nenhum efeito sedativo nem perda de memória a longo prazo, como  é comum em determinados remédios recomendados para síndromes antidepressivas.

Em entrevisa à agência francesa AFP, Catherine Rougeot afirmou que os pesquisadores já dispõem de "dois ou três derivados sintéticos estáveis" com vistas à uma aplicação terapêutica. Estudos vão determinar qual será o melhor candidato à um desenvolvimento pré-clínico, uma etapa considerada fundamentalantes de iniciar os testes em seres humanos.

Segundo Rougeot, a molécula e suas aplicações são foram patenteadas.
 

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