Greves, um fenômeno francês ?

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As greves, que ditam a história social da França há pelos menos dois séculos, seriam um ritual inerente aos franceses? Especialistas ouvidos pelo jornal La Croix encontraram respostas nas relações tensas entre governo e povo no passado.

Bernard Vivier, diretor do Instituto Superior do Trabalho, lembra que no século 19 o estado arruinou a capacidade de negociação entre os patrões e os trabalhadores. As greves, então, existem bem antes do sindicalismo. Ao contrário de outros países europeus, o movimento sindical francês, apesar da mesma influência marxista, tem raízes revolucionárias e funcionaria com a ideia de que tudo não se faz "com" o estado e sim "contra" ele.

Já o analista político Guy Groux explica que a greve como meio de pressão diminuiu nas últimas décadas. Nos anos 70, a média de greve de mil trabalhadores era de 168 dias. Nos anos 90, os dias parados caíram para 31. Crise econômica e até o individualismo da sociedade, menos tolerante aos efeitos das paralizações, seriam algumas das razões.

O governo também endureceu. Em 2003, grevistas do setor da educação tiveram quase um mês de salário cortado. As manifestações de rua ganharam força como meio de pressão sem provocar um rombo no bolso e se tornaram um indicador da insatisfação social.

Na França, apenas 7% dos trabalhadores são sindicalizados. Um triste recorde europeu. A força das centrais sindicais portanto, não está no número de sindicalizados e sim na quantidade de cidadãos que consegue levar às ruas.

Apesar de ter menos paciência para os inconvenientes das greves, uma pesquisa revela que os franceses não pretendem mudar. Os resultados indicam que 73% deles aprovam a greve contra a reforma da previdência do governo Nicolas Sarkozy.
 

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