França/ Ciganos

França pede à Romênia plano de emergência para ciganos

Família cigana expulsa da França chega a Bucareste, Romênia.
Família cigana expulsa da França chega a Bucareste, Romênia. REUTERS

Durante visita à Bucareste, o ministro francês da Imigração e o secretário para Assuntos Europeus vão explicar às autoridades romenas a decisão do governo Sarkozy de acelerar as expulsões de ciganos em situação irregular na França. Eles devem pedir para que a Romênia crie um plano nacional para integrar essa população em seu próprio território..

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No encontro previsto com o premiê romeno, Emil Boc, o ministro francês da Imigração, Eric Besson, e o secretário para Assuntos Europeus, Pierre Lellouche, vão pedir à Romênia um plano nacional de emergência de três anos para integrar os ciganos em território romeno. Lellouch disse que Paris vai exigir de Bucareste maior cooperação policial e judiciária no combate ao tráfico de pessoas.

Segundo dados do Ministério do Interior francês, a delinquência ligada aos ciganos de origem romena em Paris aumentou 259% no prazo de alguns meses. Uma estatística que é criticada porque o governo não explica objetivamente como chegou a esse número nem fez um estudo comparativo com outra nacionalidade.

A posição do governo da Romênia é de que só uma estratégia europeia permitirá resolver o problema dos milhares de ciganos que vivem espalhados nos países do bloco. Em um artigo publicado hoje num jornal de Bucareste, o ministro romeno das Relações Exteriores, Teodor Baconschi, estima que a discussão ultrapassa o diálogo bilateral com a França, uma vez que os ciganos romenos e búlgaros enfrentam as mesmas dificuldades em todos os países por onde passam.

Respostas

Dez a doze milhões de ciganos vivem atualmente na Europa e, na visão do governo romeno, essa população necessita de políticas que favoreçam o acesso à saúde, à educação e à moradia. Nem uma política de segurança nem uma política baseada no assistencialismo representam a boa resposta a longo prazo, argumentam as autoridades de Bucareste, que se dispõem assim mesmo a colaborar com o governo francês.

Engrossando o coro dos críticos, ontem, o comissário europeu dos Direitos Humanos no Conselho da Europa, Thomas Hammarberg, disse que a retórica atual da França contra os ciganos é parecida com a usada no passado pelos nazistas e os regimes fascistas.
 

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