Exposição/Murakami

Pop japonês se mistura ao estilo clássico do Palácio de Versalhes

Uma das imensas esculturas coloridas de Murakami
Uma das imensas esculturas coloridas de Murakami Divulgação

Exposição do japonês Takashi Murakami, inspirada em mangás e animês, cria polêmica antes mesmo de inauguração nas salas e nos jardins do Palácio de Versalhes. Obras serão expostas até dezembro.

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Dois anos depois da polêmica exposição do americano Jeff Koons e um ano após a mostra do francês Xavier Veilhan, o Palácio de Versalhes inaugura, nesta terça-feira, a exposição do japonês Takashi Murakami. Para sua primeira grande retrospectiva na França, o artista apresenta, nos jardins e em 15 salas de Versalhes, 22 obras, sendo que 11 foram criadas especialmente para o local.

Na entrevista coletiva à imprensa, no Palácio de Versalhes, Takashaki Muraki disse que a mostra é a mais complexa que já realizou, em parte pelo caráter histórico do Palácio de Versalhes.

A mostra já causou polêmica mesmo antes de ser inaugurada. Associações francesas de defesa do patrimônio e da cultura criticam a mistura de estilos, entre o clássico e o contemporâneo. Elas afirmam que as obras de Murakami descaracterizam o lugar e reclamam das subvenções dadas pelo governo francês aos artistas estrangeiros que expõem em Versalhes.

A Associação "Versalhes meu amor" lançou uma petição em seu site na internet contra a mostra e já recolheu mais de quatro mil assinaturas. Eles prometem uma manifestação diante do Palácio de Versalhes no dia da inauguração.

"Primeiro é um escândalo para os turistas. As pessoas vêm aqui para ver a história de Luis 14, de Maria Antonieta, a história da França. E acabam vendo outra coisa, uma história de dinheiro, de mau gosto. Os turistas se perguntam o que essas obras fazem aqui. E isso somente pode ser explicado por razões financeiras", reclama o presidente da Associação "Não aos Mangás", Arnaud-Aaron Upinsky.

Presidente do Palácio de Versalhes defende a valorização da arte contemporânea

As imensas esculturas coloridas de Murakami, de inspiração pop e tiradas do universo dos mangás e kawai japoneses, se misturam às alegorias e mitos históricos que povoam a ex-residência do Rei Luis 14 e principal símbolo da monarquia francesa.

O presidente do Palácio de Versalhes, Jean-Jacques Aillagon, é um ferrenho defensor da abertura dos monumentos históricos franceses à arte contemporânea. Ele rebate as críticas contra a mostra de Murakami. Segundo ele, a maioria das pessoas que são contra a mostra tem opiniões extremistas, no âmbito religioso e político.

"A monarquia foi abolida na França em 1792 e não é nossa intenção, no Palácio de Versalhes, organizar um culto monárquico. O Palácio de Versalhes é um monumento histórico, nacional, e, por isso, deve fazer como fazem há 50 anos os outros monumentos histáricos na França, quer dizer, se abrir para a arte contemporânea", afirma o presidente do Palácio.

O Palácio de Versalhes recebe, por ano, 6 milhões de visitantes e 15 milhões em seus jardins. A mostra de Murakami pode ser vista até o dia 12 de dezembro.

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