França/Previdência

Quase 3 milhões de manifestantes vão às ruas, segundo sindicatos

Manifestantes na Ponte de Sully, em Paris.
Manifestantes na Ponte de Sully, em Paris. Reuters

A segunda greve geral deste mês na França, contra a reforma da previdência social do governo de Nicolas Sarkozy, teve apoio de 68% da população, de acordo com pesquisa do jornal ‘L'Humanité’. Manifestação em Paris contou com 300 mil pessoas, segundo sindicatos, e 65 mil, de acordo com a polícia.

Publicidade

Para os sindicatos de trabalhadores da França, a greve geral desta quinta-feira mobilizou 2,9 milhões de pessoas participaram de 200 manifestações nas ruas do país, número maior do que os 2,7 milhões estimados na última paralisação do dia 7 de setembro (o governo havia contabilizado apenas 1 milhão).

Só em Paris, os protestos foram acompanhados, nesta quinta, por 300 mil pessoas, segundo os sindicatos, e 65 mil, de acordo com a polícia. A grande passeata começou na Praça da Bastilha, por volta das 13 horas locais, 8 horas no horário de Brasília. Apesar da divergência de números, os sindicatos dizem que saíram vitoriosos, pois conseguiram reunir 30 mil pessoas a mais do que na última passeata. Mas, de acordo com a polícia, foram 15 mil a menos.

A greve perturbou o transporte coletivo, sobretudo os trens que ligam a periferia ao centro da capital. Somente metade dos trens circulou. Nos aeroportos, foram cancelados 50% dos voos de Orly e 40% das decolagens e aterrissagens no aeroporto Charles de Gaulle, o maior do país. Nas escolas públicas, um em cada quatro professores aderiram à greve.

Segundo uma pesquisa realizada pelo instituto CSA para o jornal L'Humanité, 68% dos franceses apoiam a mobilização.

Manifestantes contra a reforma da previdência social proposta pelo governo de Nicolas Sarkozy, em Estrasburgo leste da França.
Manifestantes contra a reforma da previdência social proposta pelo governo de Nicolas Sarkozy, em Estrasburgo leste da França. Reuters

O projeto do governo tem como principal medida elevar a idade mínima da aposentadoria de 60 para 62 anos, até 2018. O texto já foi aprovado pelos deputados na semana passada e tramita atualmente no Senado, onde deverá ser votado no início de outubro.

Esta é a segunda greve em menos de um mês, convocada pelos principais sindicatos de trabalhadores franceses. Na última grande paralisação, realizada em 7 de setembro, entre 2,5 milhões e 3 milhões de pessoas, segundo os sindicatos, e 1 milhão, de acordo com o governo, participaram das cerca de 200 manifestações realizadas em todo o país.

No país famoso por suas greves, apenas 8% dos trabalhadores são sindicalizados

Apesar de ainda serem capazes de levar milhares de pessoas às ruas, os sindicatos da França têm poucos afiliados em comparação com os sindicatos de outros países europeus.

O índice de sindicalização na França é de 8%, contra 19% na Alemanha e 27% no Reino Unido, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Apesar disso, os franceses são vistos como grevistas inveterados, que não hesitam em protestar nas ruas e gritar forte contra as reformas do governo.

Seriam os franceses os campeões europeus da greve? As opiniões divergem. Para alguns analistas, ao contrário da imagem difundida pelo mundo, a França está na média europeia. Já o Observatório Europeu das Relações de Trabalho indica que, entre 2005 e 2008, a França registrou uma média de 132 dias trabalhados por ano, ou seja, menos do que no resto da Europa.

Outros dados indicam que, em 2008, a França teve 1 milhão e 400 mil dias não trabalhados em função de greves no país. O cálculo foi feito multiplicando o número de dias não trabalhados pelo número de grevistas.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.