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Franceses protestam contra reforma da previdência

Áudio 02:33
Reuters

A polêmica reforma da previdência francesa está longe de ser resolvida. Foram convocadas uma nova mobilização para o dia 2 de outubro e uma greve para o dia 12 do mesmo mês. A decisão foi tomada depois do encontro entre as lideranças sindicais, que aconteceu na manhã desta sexta-feira. O objetivo é pressionar o governo contra o novo projeto de lei da aposentadoria que está previsto para ser discutido, no Senado, dentro de onze dias.

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Em resposta a decisão, o primeiro-ministro francês, François Fillon, declarou “um não definitivo e tranquilo” aos manifestantes. Segundo ele, a reforma é necessária e será mantida. O ministro não voltará atrás na decisão de aumentar a idade legal de aposentadoria de 60 para 62 anos. A questão somada às mudanças na forma de financiamento da aposentadoria são as principais reivindicações da oposição. Para Bernadette Groison, secretária-geral da Federação Sindical Unitária, que reúne os funcionários públicos, a mobilização se justifica mesmo após a aprovação do projeto na Assembleia Nacional na semana passada. “Enquanto a reforma não passar no Senado, nós temos todas as possibilidades de agir. Não é a reforma que o governo escolheu que é a única solução para salvar o sistema de aposentadoria, nós propusemos outras soluções e o debate na França não aconteceu”, alega.

 

A nova paralisação será a terceira greve geral desde o início do mês. Nesta sexta-feira, escolas, hospitais, os correios e o trafego aéreo voltaram ao normal, assim como os transportes públicos - metrô, trens, ônibus -- após 24h de greve. Cerca de 1 milhão de pessoas (segundo a polícia) ou 3 milhões (para os sindicatos) saíram as ruas nas principais cidades francesas contra a medida.

De acordo com o economista Hénri Sterdyniak, do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas, é preciso viabilizar financeiramente o projeto. “Com a reforma, degradamos um pouco o modelo francês, porque diminui o montante das aposentadorias e incita as pessoas a trabalhar mais. O governo se recusa a aumentar a contribuição, pois acha que ela já é elevada”, revela.

A implantação de políticas de austeridade vem provocando mobilizações em toda a Europa.
A Confederação dos Sindicatos Europeus convocou uma ação em Bruxelas e nas capitais europeias para o próximo dia 29. A Espanha entrará em greve geral na próxima quarta-feira. Segundo a central, países do continente estariam descontando o custo da crise financeira nos serviços públicos, aposentadorias e assistências sociais.

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