Acidente/AF447

Justiça francesa reconhece crime na queda do voo AF447

Modelo do Airbus A330 que caiu no oceano Atlântico matando as 228 pessoas a bordo.
Modelo do Airbus A330 que caiu no oceano Atlântico matando as 228 pessoas a bordo. Philippe Delafosse

A Justiça francesa reconheceu pela primeira vez que houve crime no acidente com o voo AF447 que fazia a rota Rio-Paris e caiu no oceano Atlântico em 31 de maio do ano passado.

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O Tribunal de Justiça de Toulon, no sul da França, reconheceu nesta terça-feira a existência de uma "infração penal" na catástrofe aérea. Essa decisão permite que a família de uma das vítimas receba uma indenização antes do final da investigação técnica e judicial.

A comissão de indenização das vítimas de infrações penais do Tribunal de Toulon considerou que a falha nas duas sondas Pitot da aeronave, constatada na noite do acidente, combinada ao fato de que falhas anteriores já haviam sido registradas no equipamento, é suficiente para deduzir a existência de uma infração penal que caracteriza o crime de homicídio culposo, ou seja, não intencional.

O trabalho da comissão não é determinar os responsáveis por essa infração penal, mas somente identificar se os reclamantes foram vítimas dessa infração e se eles podem ser indenizados. A comissão determinou que o fundo de garantia das vítimas de terrorismo e outras infrações pague 20 mil euros, o equivalente a 46 mil reais, à família de Clara Amada, comissária de bordo no voo AF447.

A Air France não quis comentar a decisão do tribunal. Já o advogado da família da comissária, Jean-Claude Guidicelli, avalia que essa decisão valida a responsabilidade das sondas Pitot na queda do Airbus. A falha no funcionamento dessas sondas, que medem a velocidade da aeronave, é apontada por especialistas e pilotos como a provável causa do acidente, que fez 228 mortos.

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