França

Mortes provocadas por hormônio de crescimento voltam a julgamento

Familiares de vítimas do hormônio de crescimento contaminado e seus advogados, em imagem de fevereiro de 2008.
Familiares de vítimas do hormônio de crescimento contaminado e seus advogados, em imagem de fevereiro de 2008. (Photo : AFP)

Um hormônio administrado na França a centenas de crianças e adolescentes com problemas de crescimento, na década de 80, causou a morte de vários pacientes. A Corte de Apelações de Paris volta a julgar, a partir de hoje, esse polêmico processo que terminou, em primeira instância, com a absolvição da maioria dos médicos e enfermeiros acusados de negligência, entre outros crimes e delitos.

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Os familiares das vítimas prometem acompanhar de perto e com muita esperança de verem punidos os responsáveis pela morte de 120 jovens, vítimas de um tratamento com hormônio de crescimento contaminado. No primeiro julgamento, os seis médicos e enfermeiras que sentaram no banco dos réus foram absolvidos após 16 anos de investigação.

O professor Jean-Claude Job, ex-presidente da Associação Hipófise, que tinha o monopólio do tratamento com o hormônio de crescimento, morreu em 2008, antes do veredito. Para a acusação, houve falhas em toda a fase de produção do hormônio. Mas os juízes entenderam que os acusados não tinham consciência dos riscos aos pacientes durante a elaboração e a prescrição do hormônio, fabricado a partir da hipófise, uma glândula craniana, retirada de cadáveres. Como esses hormônios estavam infectados, os pacientes contraíram uma doença neurodegenerativa, chamada Creutzfeldt-Jacob, que leva à morte.

Nessa reabertura do processo, apenas dois acusados podem ser incriminados: Fernand Dray, de 88 anos, ex-responsável por um laboratório do Instituto Pasteur que extraia os hormônios dos cadávares e a pediatra Elisabeth Mugnier, de 61 anos. Eles respondem à acusação de homicídio involuntário por "falhas graves de imprudência e negligência" no tratamento de quase 1.700 crianças que recorreram ao tratamento com o hormônio de crescimento. Outros três acusados que serão novamente julgados poderão apenas ser condenados a pagar indenização por perdas e danos.

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