França/Fraude

Ex-operador julgado por fraude terá que pagar R$11 bilhões a banco francês

O ex-operador Jérôme Kerviel ao lado de seu advogado na chegada ao Tribunal Correcional de Paris, nesta terça-feira, 5 de outubro.
O ex-operador Jérôme Kerviel ao lado de seu advogado na chegada ao Tribunal Correcional de Paris, nesta terça-feira, 5 de outubro. Reuters

O Tribunal Correcional de Paris decidiu condenar a 5 anos de prisão , sendo 3 em regime fechado, o ex-operador de mercado Jérôme Kerviel, acusado de ter realizado operações fraudulentas que causaram um prejuízo recorde de quase 5 bilhões de euros, cerca de R$11 bilhões, ao banco Sociéte Générale, em 2008.

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Jerôme Kerviel foi declarado culpado por abuso de confiança, falsificação e uso de documentos falsos, além de introdução fraudulenta de dados em um sistema informático.

Segundo a sentença do tribunal francês, ele também terá que indenizar o prejuízo de 4,9 bilhões de euros causado ao banco. O advogado do ex-trader, Oliver Metzner, classificiou a pena de "irracional e inverossímel" e anunciou que vai recorrer da decisão. O francês deve continuar em liberdade condicional, até que seja julgado o recurso.

Durante o processo, a defesa de Kerviel tentou demonstrar que a direção do banco teria fechado os olhos para as operações fraudulentas realizadas pelo ex-operador, mas essa tese foi recusada pelo tribunal.

"Os elementos apresentados pela defesa não permitiram concluir que a Société Général tinha conhecimento das atividades fraudulentas de Jérôme Kerviel", afirmou o presidente da 11º Câmara do Tribunal Correcional de Paris, Dominique Pauthe.

O escândalo estourou em janeiro de 2008, quando o banco Société Générale anunciou um rombo de quase 5 bilhões de euros, resultado de posições de risco fraudulentas tomadas no mercado financeiro.

Jêrome Kerviel, hoje com 33 anos, foi acusado pela instituição de ser o responsável pelos prejuízos. Ele chegou a ficar preso 38 dias em 2008, antes de obter liberdade condicional.

O ex-operador admitiu que realizava as operações sem a autorização de seus superiores desde o final de 2005, mas sustentou que sua hierarquia conhecia o risco das posições tomadas.

A Société Générale, por sua parte, também admitiu falhas no gerenciamento e no controle de riscos. Uma auditoria interna de maio de 2008 revelou que o banco negligenciou pelo menos 74 alertas de operações irregulares de alto risco a partir de meados de 2006.
 

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