França/Greve

Greve de refinarias na França continua e prejudica abastecimento

Seis refinarias de petróleo que pertencem à multinacional Total continuam a fazer greve nesta quarta-feira.
Seis refinarias de petróleo que pertencem à multinacional Total continuam a fazer greve nesta quarta-feira. Reuters

A queda-de-braço entre o setor sindical e o governo da França prejudica o abastecimento de combustível no país. Nesta quarta-feira, 10 das 12 refinarias no país estão inoperantes em protesto contra o projeto de reforma da aposentadoria. A greve pode continuar até o final da semana.

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Além da paralisação das usinas de refino, a greve dos terminais de petróleo do porto de Marselha e de outros terminais pela França também comprometem a produção e a distribuição de combustíveis.

Segundo estimativas do setor, se os trabalhadores petroleiros continuarem de braços cruzados, os motoristas franceses poderão sentir os efeitos da queda no abastecimento de gasolina e de óleo diesel na semana que vem. O gigante petrolífero Total anunciou, nesta quarta-feira, que as suas seis refinarias estão fechadas. Segundo um porta-voz da empresa, diante do cenário de greve dos funcionários em vários pontos do país não seria seguro manter as operações de refino.

No momento, os 12.500 postos de gasolina franceses continuam a contar com os 219 depósitos de combustível existentes na França. Mas, como a paralisação atinge mais de 70% da capacidade de produção do setor, a tendência é de queda da produção. Alguns postos já reclamam de falta de combustível, mas eles atribuem essa queda, principalmente, ao número elevado de motoristas que enchem o tanque por medo de um racionamento no abastecimento.

Reserva estratégica

Tanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, quanto seu primeiro ministro, François Fillon, prometem não ceder na reforma da aposentadoria. Para tranqüilizar os consumidores, o governo afirma que a França dispõe de reservas estratégicas que garantiriam o abastecimento por quase três meses. Esse estoque é composto de 60% de produtos refinados e 40% de óleo bruto.

Mesmo evitando o alarmismo, os representantes do setor de petróleo não escondem a preocupação. “Ninguém é capaz de afirmar por quanto tempo vamos conseguir resistir”, disse
Alexandre de Benoist, da UIP (União dos Importadores Independentes de Petróleo), entidade que representa a distribuição. Na avaliação de Benoist, os preços devem subir, já que a participação do combustível importado é cada vez maior.

Para Jean-Louis Schilansky, da União Francesa das Indústrias de Petróleo, “se a situação permanecer como está, teremos que ver seriamente a questão dos estoques estratégicos de petróleo”. Para usar os estoques, a França precisa do aval da Agência Internacional de Energia.
 

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