França/greve

Governo francês nega escassez de combustíveis no país

O governo pediu para que os motoristas não corram as postos de gasolina e afirma que não faltam combustíveis na França.
O governo pediu para que os motoristas não corram as postos de gasolina e afirma que não faltam combustíveis na França. REUTERS/Eric Gaillard

O governo francês negou neste sábado que o país enfrenta uma escassez de combustíveis devido às greves que atingem as refinarias de petróleo e aos bloqueios nos depósitos por opositores ao projeto de reforma da aposentadoria. No entanto, segundo o ministério da Ecologia, as reservas de querosene nos aeroportos de Paris são suficientes apenas até o início da próxima semana.

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"O governo confirma que não há escassez”, declarou neste sábado em entrevista à uma emissora de rádio a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde. Segundo ela, "230 postos de gasolinas de um total de 2000, ou seja cerca de 2%"  estão sem combustíveis.

Já o porta-voz o ministério da Ecologia afirmou que o aeroporto de Roissy-Charles de Gaulle, o maior da França, tem reserva de querosene só até segunda-feira ou terça devido à interrupção no abastecimento provocada pela greve.

A empresa Trapil, responsável pelo oleoduto que abastece os aeroportos parisienses confirmou na sexta-feira que o funcionamento da rede estava comprometido por falta de produtos petrolíferos.

"Temos alternativas para encontrar soluções para abastecer o aeroporto. Estamos confiantes", declarou o porta-voz do ministério em entrevista à agência de notícias AFP. Ele também confirmou que o abastecimento de combustíveis para os aeroportos de Roissy e de Orly funcionam alternadamente. Nenhum aeroporto na França está completamente sem combustível, segundo o governo.

O aeroporto de Nantes, na região oeste da França, enfrenta "pequenas dificuldades" mas foi abastecido pelo aeroporto de Bordeaux, segundo fontes do gabinete do secretário de estado francês dos Transportes, Dominique de Bussereau.

O presidente da União Francesa das Indústrias Petrolíferas (UFIP, na sigla em francês), Jean-Louis Schilansky, confirmou que 10 das 12 refinarias de petróleo do país estão em greve. "A situação é tensa", e a UFIP "está fazendo de tudo para que não haja ruptura no abastecimento", afirmou Schilansky.  "Estamos trabalhando, através de diferentes meios, para encontrar produtos e colocá-los na rede de abastecimento, especialmente querosene", afirmou.

De acordo com o ministério da Ecologia, graças ao desbloqueio dos estoques de reserva e das importações, a França não vai encontrar problemas de combustíveis até o início do mês de novembro.

"A partir desse período, vamos encontrar soluções como o aumento das importações", afirmam fontes do ministério. As importações da França chegam da Itália, Espanha, Bélgica e Alemanha por caminhões, barcos e outras embarcações.

Desbloqueios

As forças de ordem desbloquearam na manhã deste sábado novos depósitos de combustíveis, como o de Rouen, na região oeste da França, que estava bloqueados por sindicalistas contrários à reforma da aposentadoria, um das medidas que o governo Sarkozy considera importantes para o país. Segundo a secretaria de estado dos transportes, o desbloqueio aconteceu sem incidentes. Na sexta-feira outros três depósitos foram desbloqueados pelas forças-de-ordem.

No setor de transportes ferroviários a greve continua neste sábado com uma média de 2 em cada 3 trens-bala circulando e 1 em cada 4 operando nas redes ferroviárias regionais.

Nos trajetos internacionais os trens circulam normalmente, mas a partir das 20h de domingo os trens Thalys do Eurostar que liga Paris e Londres ficarão parados.

 Manifestações

 Neste sábado a França enfrenta uma nova jornada de manifestações de rua, a segunda em menos de uma semana, organizada pelas centrais sindicais contra a reforma das aposentadorias. 

Os protestos pretendem aumentar a pressão sobre a reforma proposta pelo governo que prevê, entre outras medidas, o aumento de 60 para 62 a idade legal para requerer o benefício.

O presidente Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro François Fillon já anunciaram que o governo não vai recuar em seu projeto de reformar o sistema de aposentadorias na França. 

Além das manifestações deste sábado, uma nova greve geral, a quinta, desde setembro, foi progradama para a próxima  terça-feira, na véspera da votação do projeto de reforma pelo Senado francês. 

 

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