França/Aposentadoria

Greves e protestos contra reforma da aposentadoria aumentam pressão sobre governo

Manifestação em Lyon contra o projeto de reforma da aposentadoria  Lyon, neste sábado 16 outobro de 2010.
Manifestação em Lyon contra o projeto de reforma da aposentadoria Lyon, neste sábado 16 outobro de 2010. AFP/Jean-Pierre Clatot

Milhares de trabalhadores manifestando nas ruas, ameaças de falta de combustíveis em aeroportos, filas nos postos de gasolinas e vários setores como o de transportes e o de energia em greve. Apesar da mobilização das centrais sindicais e dos trabalhadores, governo não dá sinais de que vai recuar no seu projeto de reformar o sistema de aposentadorias na França.

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Manifestações em toda a França neste sábado levaram milhares de pessoas às ruas na segunda jornada de protestos contra a reforma da Previdência em menos de uma semana. Para o governo, a mobilização diminuiu comparada à outras manifestações, mas de acordo com os sindicatos, ela se mantém em um nível elevado.

Estimativas reveladas pelo ministério do Interior indicam que cerca de 825 mil pessoas participaram das 264 manifestações realizadas em todo o país, o que representaria uma queda na mobilização comparada com outras 4 manifestações já realizadas nas últimas seis semanas para protestar contra o projeto do governo de reforma da aposentadoria. Para as centrais sindicais, esses mesmos protestos reuniram mais de 3 milhões de pessoas. Em comunicado, a CGT, maior central sindical da França diz que a determinação dos manifestantes está  "intacta".

Em Paris, mais de 310 mil pessoas participaram do desfile neste sábado, segundo as centrais sindicais, o que significa a mesma participação registrada em 2 de outubro. Para a polícia foram cerca de 50 mil pessoas, uma redução de 13 mil em relação ao protesto do início do mês.

“Não são apenas os partidos de esquerda. Toda a França está nas ruas, tanto os trabalhadores do setor público quando do privado”, disse a uma emissora de tevê francesa o prefeito socialista de Paris, Bertrand Delanoë, que participou da manifestação na capital.

Em outras grandes cidades do país, as estimativas dos sindicalistas e governo também variam e registram uma grande diferença. Em Marselha, sindicalistas afirmam que 180 mil pessoas desceram às ruas contra 150 mil no início do mês. Já em Toulouse, os protestos reuniram 125 mil pessoas na opinião dos sindicatos, 24 mil segundo o registro oficial da polícia. Em Rennes, na região oeste do país, as centrais sindicais afirmam que 35 mil pessoas participaram da manifestação enquando a polícia fala em 18.500 pessoas.

Uma nova manifestação está prevista para a próxima terça-feira, 19, quando foi convocada uma nova greve geral, a quinta desde o início da mobilização, em setembro. Os sindicatos esperam fazer uma nova demonstração de força nas vésperas da votação do projeto de reforma da Previdência no senado que prevê, como medida principal, o aumento de 60 para 62 anos a idade legal para o pedido da aposentadoria.

Corrida aos postos

Neste sábado muitos franceses ignoraram o pedido do governo para não promover uma corrida aos postos de gasolina diante da ameaça da falta de combustíveis devido a greve nas refinarias franceses e bloqueios nos depósitos de distribuição dos produtos petrolíferos.
Na região parisiense, motoristas encontraram diversos postos fechados e outros enfrentaram longas filas de até meia hora para poder abastecer seus carros.
Proprietários de postos revelam que muitos motoristas estão enchendo o tanque com receio de enfrentar uma falta de combustíveis.

Trabalhadores de 10 das 12 refinarias francesas estão em greve em protesto contra reforma da Previdência proposta pelo presidente Nicolas Sarkozy. Sindicalistas também bloqueiam vários depósitos de distribuição como protesto ao governo.

Neste sábado, a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, pediu que a população não entre  "em pânico" e garantiu que não vai faltar combustível no país.

O ministério da Ecologia afirmou que o estoque de querosene para o aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, o maior da França só é suficiente para até terça-feira. No entanto, o ministério afirma que o desbloqueio de estoques de reserva e as importações garantem combustíveis no país até o início do mês de novembro.

 

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