Greve/França

Caminhoneiros bloqueiam acessos a depósitos de petróleo na França

Nesta segunda-feira, caminhoneiros bloqueiam estradas no oeste e no sul do país, principalmente os acessos a depósitos de petróleo.
Nesta segunda-feira, caminhoneiros bloqueiam estradas no oeste e no sul do país, principalmente os acessos a depósitos de petróleo. Reuters

Mais de mil postos de gasolina estavam sem combustível nesta manhã em toda a França, segundo uma associação responsável por 60% da distribuição de combustível no país. Além da paralisação nas refinarias, o abastecimento agora é ameaçado pela ação de caminhoneiros, que nesta segunda-feira bloqueiam os acessos aos depósitos de petróleo do país. Os estudantes do ensino médio também se envolvem cada vez mais no movimento. Mais de 260 estabelecimentos escolares ficaram fechados hoje, segundo o governo. 

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O movimento contra a reforma da aposentadoria, que está em trâmite no Senado, ganha maior adesão às vésperas do sexto dia de mobilização e de greve geral, prevista para a terça-feira. Nesta manhã, os ferroviários já cruzam os braços. O tráfego dos trens de grande velocidade foi reduzido pela metade. No sistema de metrô e ônibus de Paris, a circulação é quase normal. Já a linha B do trem RER funciona parcialmente. A paralisação contra a reforma da previdência pode afetar ainda o setor aéreo e o transporte de valores - e consequentemente, os bancos. No sistema educacional, 260 escolas de ensino médio ficaram fechadas hoje, o equivalente a 6% do total.

A mobilização dos estudantes do ensino médio coloca o governo francês em situação delicada, frente ao risco de radicalização. Os incidentes de violência têm se multiplicado nas proximidades das escolas. Em Nanterre, na região parisiense, carros foram incendiados na manhã de hoje, enquanto os estudantes bloqueavam a entrada do estabelecimento. O mesmo cenário de carros tombados nas ruas e vitrines quebradas é visto em Lyon, Nantes e outras cidades francesas. A polícia aponta a infiltração de grupos de jovens externos ao movimento estudantil, que invadem as passeatas para promover o quebra-quebra. Em Paris, estudantes fizeram um protesto no Arco do Triunfo e foram desalojados pela policia. Agora eles se deslocam para a praça da Bastilha, onde o clima está tenso.

Os caminhoneiros bloqueiam estradas no oeste e no sul do país, principalmente os acessos a depósitos de petróleo. O movimento começou ontem à noite e foi criticado pelo governo. O primeiro-ministro, François Fillon, avisou em rede nacional de televisão que não deixará a economia francesa ser sufocada por bloqueios ao fornecimento de combustível. "O direito à greve não inclui o direito de impedir o acesso aos depósitos de petróleo, isso é uma ação ilegal", afirmou Fillon.

Os trabalhadores de todas as 12 refinarias francesas também voltaram a fazer greve, o que pode agravar o problema de fornecimento nacional de combustível que já atinge quase 40% dos postos. Muitos motoristas têm dificuldade de achar bombas funcionando e outros fazem filas nos postos que ainda. Segundo o jornal Le Parisien de hoje, as regiões mais afetadas são as próximas às refinarias: Ile-de-France, onde fica a capital; no oeste, Basse-Normandie, Pays de la Loire e Poitou-Charentenes; e no sudeste, Rhône-Alpes e Provence-Alpes-Côte D'Azur.

Greve na Bélgica

O sistema ferroviário da Bélgica está parcialmente paralisado hoje, em protesto a reformas no estatuto da categoria dos ferroviários. Os principais sindicatos do setor resolveram fazer uma greve de 24 horas que prejudica milhares de passageiros. Todas as estações de trem de Bruxelas amanheceram fechadas. Foram cancelados os trens com destino a França, Alemanha e Holanda. O Eurostar, que faz a ligação com Londres, apresenta perturbações. Por causa da greve, foram registrados nesta manhã 350 km de engarrafamento nas estradas belgas.
 

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